O ministro Cristiano Zanin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou na tarde deste domingo (25) a prorrogação do horário de votação em todo o território nacional. As seções eleitorais, que fechariam às 17h, permanecerão abertas até as 19h pelo horário de Brasília. A medida vale já para este segundo turno.
A decisão atende a pedidos das duas principais campanhas presidenciais e afeta diretamente a logística de mais de 150 milhões de eleitores. Mas o que levou a Justiça a alterar a regra a poucas horas do fim da votação?
Chuvas e transporte: o gatilho da decisão
Fortes temporais atingiram diversas regiões do país nas últimas 24 horas. Em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) relatou alagamentos e interdições que dificultaram o deslocamento até as urnas.
Paralelamente, a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou levantamento apontando restrições no transporte coletivo em dez estados: Piauí, Paraíba, Paraná, Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Roraima e Bahia. Em alguns municípios, a frota de ônibus foi reduzida a menos de 30% do habitual.
Como fica o calendário na prática
- Horário unificado: votação das 8h às 19h (horário de Brasília) em todos os fusos.
- Eleitor na fila: quem estiver na fila às 19h tem direito a votar, regra já prevista em lei.
- Apuração: início mantido para logo após o fechamento das últimas seções no horário de Brasília.
- Justificativa: prazo para justificar ausência segue inalterado — 60 dias após o pleito.
O que diz a legislação e o precedente
O Código Eleitoral (Lei 4.737/65) fixa o encerramento às 17h, mas faculta ao TSE alterar o horário em situações excepcionais. Em 2022, o próprio tribunal estendeu a votação em municípios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina por motivo idêntico: chuvas extremas. A diferença agora é a abrangência nacional da medida.
Ministros da Corte reuniram-se em sessão extraordinária virtual às 16h30. A decisão foi unânime e publicada em medida cautelar, com eficácia imediata. Não há necessidade de nova votação em plenário físico.
Impacto nas estratégias de campanha
As duas horas extras tendem a beneficiar eleitores de baixa renda, que dependem de transporte público e trabalham em jornadas longas. Pesquisas de boca de urna realizadas em eleições anteriores mostram que o fluxo nas últimas horas costuma ser 12% a 15% mais concentrado em bairros periféricos.
Coordenadores de ambas as campanhas já orientaram fiscais e voluntários a reforçar a mobilização “até o último minuto”. Mensagens de áudio e redes sociais foram atualizadas para informar o novo horário.
O que observar nas próximas horas
O TSE deve divulgar, até as 20h, balanço parcial de comparecimento por estado. A taxa de abstenção no primeiro turno ficou em 20,9%; analistas projetam queda para 18% a 19% com a extensão do horário. Fique atento aos boletins oficiais — qualquer incidente isolado em seções específicas pode gerar novos pedidos de prorrogação pontual.
Se você ainda não votou, verifique seu local de votação no app e-Título ou no site do TSE e dirija-se à seção. O prazo acabou de ganhar duas horas de vida.
