Manifestantes de campos opostos transformaram a avenida Paulista em palco de confronto verbal neste fim de semana. Grupos alinhados a Flávio Bolsonaro e ao presidente Lula se posicionaram a poucos metros uns dos outros, elevando a temperatura política no principal corredor de São Paulo.
Como começou o embate
O encontro não foi marcado como debate. Dois atos distintos, convocados por redes sociais para o mesmo horário e local, convergiram no vão livre do MASP. De um lado, camisetas verde-amarelas e bandeiras do Brasil. Do outro, vermelhas com a estrela do PT e faixas em defesa da democracia.
A Polícia Militar montou barreiras humanas entre os blocos. Mesmo assim, gritos de “genocida” e “ladrão” cruzaram o isolamento durante toda a tarde.
O que cada lado reivindica
- Bolsonaristas: anistia aos presos do 8 de Janeiro e impeachment de ministros do STF
- Petistas: defesa do governo Lula, reforma tributária e punição a golpistas
Não houve registro de violência física até o fechamento desta reportagem. A PM contabilizou três detenções por porte de objetos perfurantes — dois no grupo bolsonarista, um no petista.
O termômetro da polarização
A cena resume o Brasil de 2024: duas multidões que não se ouvem, falando línguas diferentes sobre o mesmo país. Pesquisas recentes mostram que 68% dos eleitores consideram o diálogo entre opostos “impossível” ou “muito difícil”.
Na Paulista, a distância física de dez metros virou abismo simbólico. Nenhum líder político subiu em carro de som para mediar. O vazio de mediação é, talvez, a notícia mais relevante.
O que observar daqui pra frente
Novos atos estão convocados para as próximas três semanas, sempre aos domingos. A tendência é de escalada retórica conforme o calendário eleitoral municipal se aproxima. Para quem acompanha o cenário, o termômetro não está na avenida — está na disposição (ou não) de parlamentares de ambos os lados em sentar à mesma mesa.
