Justiça

Você não vai acreditar: Sorocaba amanhece limpa no 2º turno…

Calçada limpa em frente à Escola Guiomar Camolesi em Sorocaba no 2º turno das eleições
Ruás de Sorocaba amanhecem sem santinhos no segundo turno, contrastando com o primeiro turno.

Sorocaba registrou um cenário atípico neste domingo (25): as ruas ao redor dos principais locais de votação amanheceram sem o tradicional “tapete” de santinhos. A ausência total de material gráfico jogado no chão contrasta radicalmente com o primeiro turno e levanta uma questão direta para gestores públicos e investidores: o que mudou na fiscalização e no comportamento eleitoral em tão pouco tempo?

A diferença visual é imediata. Escolas como a Guiomar Camolesi de Souza, na zona norte, exibiam calçadas livres e vias desobstruídas desde as primeiras horas da manhã. Para quem acompanha a logística urbana em dias de eleição, a cena foge completamente do padrão histórico.

O choque de realidade entre o primeiro e o segundo turno

No primeiro turno, a cena era outra. Equipes de limpeza urbana trabalharam em regime de emergência para remover toneladas de papel das ruas logo após o encerramento da votação. O custo operacional — horas extras, aluguel de máquinas, destinação de resíduos — pesa no orçamento municipal e atrapalha a mobilidade no dia seguinte.

Desta vez, a economia de recursos públicos com a limpeza pós-eleição deve ser significativa. Embora a prefeitura não tenha divulgado o balanço oficial até o fechamento desta reportagem, a estimativa técnica aponta para uma redução de até 80% no volume de resíduos sólidos coletados nos arredores das seções eleitorais.

Por que a fiscalização funcionou desta vez?

Especialistas em direito eleitoral apontam três fatores convergentes. A aplicação mais rigorosa do artigo 39-A da Lei das Eleições (9.504/97), que criminaliza a distribuição de material de propaganda no dia da votação, ganhou força com o uso de inteligência artificial pelo TSE para monitorar denúncias em tempo real.

Além disso, a proximidade do segundo turno — apenas três semanas após o primeiro — manteve as equipes de fiscalização mobilizadas e os candidatos mais cautelosos. O risco de multas que ultrapassam R$ 50 mil por infração e a possibilidade de cassação de registro inibiram a prática do “voo da madrugada”.

  • Redução de custos: Menos horas extras para garis e caminhões compactadores.
  • Mobilidade preservada: Ruas livres para eleitores, transporte público e emergências.
  • Imagem institucional: Cidade organizada transmite seriedade para investidores externos.

O efeito cascata no comércio e nos serviços

Comerciantes da região da escola Guiomar relatarum movimento mais fluido nas portas dos estabelecimentos. Sem o acúmulo de papel escorregadio nas calçadas — um risco real de quedas para idosos —, o fluxo de pedestres manteve-se constante durante toda a manhã. Para o varejo local, a limpeza urbana não é apenas estética; é segurança jurídica e acessibilidade.

Empresas de logística e aplicativos de entrega também ganharam eficiência. Rotas antes bloqueadas por montanhas de santinhos ou por caminhões de limpeza parados em fila dupla operaram sem intercorrências. É um ganho de produtividade difícil de mensurar em reais, mas evidente na operação do dia a dia.

O que observar daqui para frente

O cenário em Sorocaba serve de parâmetro para as próximas disputas municipais e estaduais. Se a ausência de santinhos no chão se consolidar como norma — e não exceção —, teremos uma mudança estrutural no “marketing de rua” eleitoral. Candidatos terão de migrar recursos do impresso para o digital, alterando a cadeia de fornecedores gráficos e a dinâmica de campanhas de base.

Para o gestor público, a lição é clara: fiscalização tecnológica integrada à guarda municipal funciona e economiza dinheiro. Para o investidor, uma cidade que consegue fazer cumprir a lei eleitoral no dia mais caótico do calendário demonstra capacidade de governança — um ativo intangível que valoriza o território. O próximo passo é verificar se o padrão se repete nas capitais e se o TSE padroniza esse protocolo para 2026.