Apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) ocuparam as principais avenidas de Teresina neste sábado (24), véspera decisiva do segundo turno presidencial de 2026. A mobilização, batizada de Motocarreata da Direita do Piauí, partiu da Zona Leste e cruzou a capital em direção à Avenida Cajuína.
O ato ocorre num momento de polarização máxima: as urnas abrem neste domingo (25) para definir entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quem comandará o país nos próximos quatro anos.
Roteiro e adesão nas ruas
A concentração começou às 16h no Posto Texano, na Avenida Zequinha Freire. De lá, o comboio seguiu pela Avenida João XXIII, atravessou a Raul Lopes e encerrou próximo ao Sesc Cajuína. A maior parte dos participantes vestia verde e amarelo, camisetas da Seleção e carregava bandeiras nacionais — símbolos que se tornaram marca visual da campanha bolsonarista.
Não há estimativa oficial de público, mas imagens aéreas mostram extensas fileiras de motocicletas ocupando várias faixas das vias por onde passou o ato.
O peso do Piauí no tabuleiro nacional
O estado tem sido um reduto petista consistente. No primeiro turno, em 4 de outubro, Lula obteve 70,99% dos votos válidos no Piauí — o maior percentual entre todas as unidades da federação. Em nove municípios piauienses, o petista superou a barreira dos 85%.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, registrou 24,09% dos votos válidos no estado. Nacionalmente, o cenário foi mais equilibrado: o senador alcançou 47,03% contra 45,16% de Lula, segundo dados do TSE.
- Lula no Piauí (1º turno): 70,99%
- Flávio Bolsonaro no Piauí (1º turno): 24,09%
- Lula no Brasil (1º turno): 45,16%
- Flávio Bolsonaro no Brasil (1º turno): 47,03%
O que a mobilização sinaliza
Atos de rua na reta final servem menos para converter indecisos e mais para energizar a base. A escolha de Teresina — capital de um estado onde o adversário venceu por larga margem — tem leitura estratégica: demonstrar capilaridade mesmo em território hostil e gerar conteúdo para redes sociais nas horas que antecedem o silêncio de campanha.
Mas o efeito mais relevante aparece na disputa pela narrativa de “voto útil” nos últimos dias.
Cenários para domingo
A diferença de menos de dois pontos percentuais no primeiro turno nacional torna o segundo turno uma incógnita estatística. Abstinência, votos brancos/nulos e a migração de eleitores de candidatos eliminados (simone Tebet e Ciro Gomes somaram cerca de 7% no primeiro turno) serão decisivos.
No Piauí, a máquina estadual e municipal petista opera com estrutura testada em sucessivas vitórias. O contraponto vem da capilaridade evangélica e do agronegócio na região sul do estado, onde Bolsonaro teve desempenho superior à média piauiense em 2022.
O que observar nas próximas horas
A votação começa às 8h (horário de Brasília) e se encerra às 17h. A apuração costuma desenhar tendência irreversível por volta das 19h. Para quem acompanha do ponto de vista de mercado, três variáveis merecem radar: taxa de comparecimento nos maiores colégios eleitorais, velocidade da totalização no Nordeste e reação do dólar no after-market caso haja atraso na divulgação dos resultados.
Independentemente do desfecho, a motocarreata deste sábado entra para o registro visual de uma campanha que, mais uma vez, transbordou das urnas para o asfalto.
