São José dos Campos virou palco de um ensaio geral para 2026 neste sábado (24). Duas manifestações simultâneas, em pontos opostos da cidade, reuniram apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) e do presidente Lula (PT). O que estava em jogo não era apenas a presença de público, mas a demonstração de força das máquinas partidárias no maior colégio eleitoral do Vale do Paraíba.
O tabuleiro montado na Farma Conde Arena
O ato pró-Flávio Bolsonaro concentrou-se na arena multiuso, reduto de eventos bolsonaristas na região. A chapa de peso do PL marcou presença: o deputado federal eleito Eduardo Cury, a deputada estadual reeleita Letícia Aguiar, o vereador Lino Bispo e Thomaz Henrique, vereador que assume cadeira na Alesp em 2025.
Discursos inflamados precederam um Pai-Nosso coletivo. Em seguida, o grupo saiu em passeata pelas vias do entorno — movimento calculado para ocupar o espaço urbano e gerar imagens de volume para as redes sociais.
No Centro, a resposta ao som de bateria
A cerca de 6 quilômetros dali, a Praça Afonso Pena recebia a contrapartida. Grupos de esquerda, centrais sindicais e movimentos sociais ocuparam o marco zero da cidade com instrumentos de percussão e cânticos de apoio a Lula. A estética deliberadamente festiva contrastava com o tom solene do ato rival.
Organizadores evitam divulgar estimativas de público. A Polícia Militar não havia divulgado números oficiais até o fechamento desta reportagem.
Por que São José dos Campos virou termômetro nacional
O município concentra 730 mil eleitores — o 17º maior colégio do país. Quem vence aqui costuma levar o Vale do Paraíba, região estratégica com 2,3 milhões de votos. Em 2022, Bolsonaro venceu no primeiro turno na cidade com 52,4% contra 36,7% de Lula; no segundo turno, a diferença caiu para 51% a 49%.
Essa margem estreita explica a antecedência incomum: faltam quase dois anos para a disputa presidencial, mas as estruturas já operam em ritmo de campanha.
- Eleitorado: 730 mil aptos a votar
- Resultado 2022 (2º turno): Bolsonaro 51% x Lula 49%
- Prefeito eleito 2024: Anderson Farias (PSD), aliado de Tarcísio de Freitas
O xadrez local e as peças que faltam
A presença de Eduardo Cury e Letícia Aguiar no palanque de Flávio Bolsonaro sinaliza alinhamento automático do PL paulista. Já o lado petista precisa resolver a equação da federação PSOL-PT-PCdoB na região, onde vereadores de mandatos recentes pressionam por protagonismo.
Um fator silencioso pesa: o prefeito Anderson Farias (PSD) elegeu-se com apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas governa uma cidade onde o PT mantém base sindical forte. Seu posicionamento em 2026 pode definir para qual lado pende a máquina municipal.
O que observar daqui para frente
Os atos deste sábado funcionaram como teste de mobilização e recado aos indecisos. Nos próximos meses, watchpoints claros surgem: a filiação de lideranças locais a legendas nacionais, a destinação de emendas parlamentares ao município e a agenda de visitas de presidenciáveis ao Vale. Quem controlar a narrativa na região até o meio de 2025 larga na frente na disputa pelo segundo maior PIB do interior paulista.
