Cultura

Ronaldinho aos 46 anos: o lance de marketing que mudou um time da 3ª divisão

Ronaldinho Gaúcho aos 46 anos com a camisa do Ravenna FC, anúncio de retorno aos gramados na Série C italiana
O astro brasileiro volta a jogar pelo Ravenna contra o Forlì em partida única no Stadio Bruno Benelli.

Ronaldinho Gaúcho vai calçar as chuteiras novamente em 15 de novembro, pelo Ravenna, contra o Forlì, válido pela Série C italiana. O anúncio oficial saiu nesta sexta-feira (23), mas a jogada real começou meses atrás, fora das quatro linhas.

O clube confirmou a participação do ex-camisa 10 em partida única no Stadio Bruno Benelli. A promessa nas redes sociais foi direta: “A magia nunca foi embora. Agora é hora de levá-la de volta ao gramado”.

O ativo mais valioso não é o passe, é a marca

A contratação foi anunciada em junho. Em agosto, o brasileiro adquiriu participação societária no clube, cujo dono é o amigo e empresário Ignazio Cipriani. A operação transforma o atleta em sócio-investidor de um ativo em valorização.

Para uma equipe da terceira divisão, a equação é simples: exposição global instantânea a custo marginal perto do retorno de mídia. Camisas esgotadas, direitos de transmissão disputados e bilheteria cheia pagam o investimento antes do apito inicial.

Desempenho esportivo como pano de fundo

O Ravenna ocupa a vice-liderança do Grupo B com 20 pontos em 10 rodadas, oito atrás do líder Spezia. O acesso direto à Série B é matematicamente possível, mas difícil.

A presença de Ronaldinho funciona como acelerador comercial independentemente da tabela. O clássico regional contra o Forlì garante público máximo no estádio e audiência atípica para a categoria em plataformas de streaming.

  • Idade: 46 anos (completa 47 em março de 2027).
  • Último jogo oficial: Fluminense, 2015.
  • Aposentadoria formal: 2018.
  • Meta pessoal declarada: atingir o 300º gol da carreira.

Histórico que justifica o prêmio de risco

Campeão mundial em 2002, Bola de Ouro em 2005, ídolo em Barcelona e Milan. O currículo dispensa apresentações, mas o hiato de 11 anos sem futebol competitivo eleva a incógnita física.

Em agosto, ao chegar na Itália, ele evitou confirmar se jogaria. “Estou aqui para ajudar”, disse. A ambiguidade manteve a expectativa alta e a imprensa internacional atenta sem custo de assessoria.

O que observar daqui para frente

O jogo de 15 de novembro é o evento-teste. Métricas de engajamento digital, venda de *merchandising* internacional e valorização da cota de patrocínio máster dirão se o modelo é replicável.

Se o Ravenna converter a visibilidade em receita recorrente — novos sócios, naming rights, academy licenciada —, o caso vira estudo de *sports business* para clubes de menor orçamento. O próximo movimento de Cipriani e Ronaldinho dirá se foi apenas uma festa de despedida ou o início de uma tese de investimento.