Justiça

Império de R$ 62 mi: A mansão com heliponto do advogado investigado pela PF

Mansão de luxo com heliponto às margens do Lago Paranoá em Brasília
Residência do advogado Willer Tomaz, investigado pela PF, avaliada em milhões

O advogado Willer Tomaz, alvo de dois inquéritos da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro, ergue uma mansão com heliponto às margens do Lago Paranoá enquanto acumula um portfólio de 15 imóveis avaliados em R$ 62 milhões. A escala das aquisições e as conexões com figuras centrais do poder em Brasília colocam o padrão de vida do investigado no centro das apurações.

O imóvel mais emblemático fica no Lago Sul, área nobre da capital. Comprado em março de 2024 por R$ 12,5 milhões via sua empresa WT Administração de Imóveis, o terreno de 764 m² abrigava uma residência que foi totalmente demolida — inclusive o subsolo — para dar lugar a um projeto de três pavimentos com vista para o lago.

A mansão que virou símbolo da investigação

Vizinhos e trabalhadores da obra relatam que o advogado mencionou um investimento total de R$ 25 milhões na construção, com expectativa de revenda futura por R$ 50 milhões. A previsão inicial era de conclusão ainda este ano, mas há relatos de atrasos no cronograma.

Um ano após a primeira compra, a WT adquiriu o imóvel vizinho por R$ 6,1 milhões — parte paga em transferências e parte financiada pelo Banco de Brasília (BRB). A segunda casa, de 494 m², apresenta sinais de desocupação, contrastando com a intensa movimentação de arquitetos, marmoristas e equipes de automação na mansão principal.

O padrão de aquisições agressivas

O levantamento de escrituras públicas revela uma movimentação imobiliária intensa entre 2021 e 2026, pulverizada entre Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo. Os números chamam a atenção pela velocidade e volume:

  • 15 imóveis adquiridos pelo advogado ou por sua empresa;
  • R$ 62 milhões em valor total declarado nas escrituras;
  • Uso recorrente de pessoas jurídicas para formalizar as compras.

O imóvel original do Lago Sul pertencia ao advogado Rogério Luís de Resende, que confirmou ter recebido a diferença devida via transferência da conta da WT. Resende relatou que a casa demolida já havia sido alugada para Pedro Guimarães, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Jair Bolsonaro.

As duas frentes da Polícia Federal

Willer Tomaz é investigado em eixos distintos. O primeiro apura desvios de recursos de aposentados do INSS. O segundo mira esquemas envolvendo casas de aposta — inquérito que também tem como alvo o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A proximidade entre os dois é notória: são amigos pessoais, realizaram viagens internacionais em jatinhos do advogado, atuaram juntos em causas no Senado e há suspeita de sociedade em negócios sob escrutínio. A assessoria de Willer informou, via WhatsApp, que ele não responderá aos questionamentos.

A rede de poder no Rancho Tomaz

Além da capital, o advogado mantém o Rancho Tomaz, em Planaltina (DF). Uma foto obtida pela revista piauí expõe a proximidade com o establishment político: na imagem, aparecem o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL), o ex-ministro Juscelino Filho (PSDB-MA), os deputados Elmar Nascimento e Paulo Azi (ambos União Brasil-BA) e o senador Weverton Rocha (PDT-MA).

O imóvel do senador Weverton e o elo com Vorcaro

A relação com Weverton Rocha colocou o advogado na mira da PF no caso do INSS. O senador morou por anos em uma casa de R$ 6 milhões registrada em nome da WT Administração de Imóveis. Investigadores afirmam que Weverton participou das tratativas, mas a compra foi formalizada pela empresa de Willer, mantendo o nome do parlamentar fora da escritura.

Essa mesma empresa aparece na aquisição de um apartamento em São Paulo pertencente a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Weverton deixou o imóvel no primeiro semestre de 2024.

O que observar daqui para frente

O avanço dos inquéritos deve testar a solidez das explicações para a origem dos recursos que financiam o portfólio imobiliário. A quebra de sigilos bancários e fiscais da WT Administração de Imóveis, bem como o depoimento de fornecedores da obra no Lago Sul, são passos naturais para cruzar dados de entrada de capital com o ritmo das aquisições. Para o mercado e para o meio jurídico, o desfecho pode redefinir parâmetros de compliance na atuação de advogados com trânsito intenso no poder público.