Tecnologia

O segredo que ninguém conta: plataformas bloqueiam contas políticas em 2026

Denúncia de censura nas redes sociais às vésperas das eleições 2026 no Brasil
Organizações civis entregam ao TSE relatório sobre bloqueios seletivos de contas políticas nas big techs

Cinquenta organizações da sociedade civil entregaram ao TSE uma denúncia formal sobre censura silenciosa nas redes sociais a poucos dias do primeiro turno de 2026. O documento aponta bloqueios seletivos, redução de alcance e até a desativação de ferramentas de anúncio da campanha à reeleição. Mas o que isso revela sobre o poder real das big techs no processo democrático?

A denúncia que mexeu com o tribunal

Na sexta-feira (23), o coletivo DiraCom — Direito à Comunicação e Democracia — protocolou uma nota pública endereçada ao corregedor da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Curva. Assinam o texto 50 entidades entre movimentos populares, sindicatos e organizações de direitos digitais. O cerne da acusação: falta de transparência na moderação e na distribuição de conteúdos políticos.

Segundo o relato, usuários, comunicadores e perfis partidários sofreram remoção de contas e queda abrupta no alcance de publicações. O caso mais emblemático foi a desativação da ferramenta de anúncios da conta oficial do candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O episódio do “Exército do Lula” expõe racha no TSE

A tensão escalou quando o presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, atendeu a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou pente-fino nas postagens do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG). A medida foi interpretada como tentativa de suspensão do canal.

Horas depois, o ministro Floriano de Azevedo Marques proferiu decisão contrária: proibiu que qualquer membro da Corte suspenda ou restrinja o canal novamente por decisões individuais. O movimento expõe divergência interna sobre os limites do poder de moderação judicial.

O que as entidades exigem concretamente

  • Moderação baseada em provas, não em critérios opacos;
  • Respeito ao devido processo legal antes de qualquer remoção;
  • Garantia de que medidas contra desinformação não cerceiem liberdade de expressão.

A nota também cita “forças poderosas” atuando para desestabilizar a integridade do pleito — referência direta ao comportamento das plataformas, não a atores políticos específicos.

Big techs na mira: prazo de 24 horas para explicações

Paralelamente, o TSE concedeu prazo de 24 horas para que Meta e X (antigo Twitter) detalhem como distribuem material político em seus algoritmos. A resposta das empresas pode ditar os próximos passos regulatórios. A Meta já antecipou que o canal “Exército do Lula” não viola suas políticas internas, o que coloca a plataforma em rota de colisão com decisões judiciais anteriores.

Cenários para os próximos dias

Três frentes merecem atenção imediata: a resposta técnica de Meta e X ao tribunal; a eventual pacificação interna do TSE após decisões contraditórias; e a reação do Congresso, que pode acelerar projetos de regulação de plataformas diante do vácuo de transparência. Para empresários e investidores, o sinal é claro: o ambiente regulatório das redes sociais no Brasil entra em zona de turbulência, com impactos diretos em estratégias de marketing político, gestão de reputação e compliance digital.

O que observar daqui pra frente: a forma como o TSE conciliará combate à desinformação e liberdade de expressão definirá o padrão para as próximas eleições. Enquanto isso, a opacidade algorítmica segue como o maior risco sistêmico para a previsibilidade do debate público online.