Economia

BYD acelera no Brasil: 1.100 vagas e testes decisivos rumo a 2027…

Complexo industrial da BYD em Camaçari (BA) com galpões de soldagem e pintura em testes operacionais para produção nacional 2027
Galpões de soldagem e pintura da BYD em Camaçari iniciam testes operacionais rumo à fabricação nacional em 2027.

A BYD iniciou os testes operacionais nos galpões de soldagem e pintura de seu complexo em Camaçari (BA) e contratou mais 1.100 profissionais para operá-los. O movimento sinaliza que a montadora chinesa está prestes a virar a chave da simples montagem para a fabricação nacional de fato, com meta marcada para o início de 2027.

As obras civis das novas estruturas estão concluídas. Agora, o foco migra para a validação de processos e a formação das equipes que farão a estamparia, solda e pintura dos veículos em solo baiano — algo que o mercado considerava improvável para este prazo.

O efeito imediato no mercado de trabalho baiano

A contratação em massa não é um fato isolado. Em apenas 60 dias após a inauguração, a fábrica atingiu 1.000 colaboradores diretos. Seis meses depois, o número triplicou para 3.000. Com 250 dias de operação, a folha de pagamento já contava 5.500 nomes.

Hoje, são 9.000 postos de trabalho diretos. A BYD tornou-se o segundo maior empregador industrial da Bahia, com 90% do quadro composto por baianos, a maioria residente em Camaçari.

  • Meta para fim de 2026: 10.000 colaboradores diretos (com implementação do terceiro turno).
  • Projeção total: Até 20 mil empregos diretos e indiretos em plena capacidade.
  • Novas vagas confirmadas: Mais 500 contratações até dezembro de 2026 para soldagem, estamparia e pintura.

Esse volume de mão de obra especializada sendo formada agora é o ativo mais valioso para a transição industrial que vem pela frente.

Por que a estamparia é a peça que falta

Soldagem e pintura preparam a carroceria, mas a estamparia é quem define a independência real. É ela que transforma bobinas de aço em peças estruturais, eliminando a necessidade de importar chapas já conformadas.

As obras desse galpão específico avançam em paralelo aos testes atuais. Sem ele, a nacionalização fica pela metade. Com ele, a BYD controla o ciclo completo: do aço bruto ao carro finalizado.

Capacidade produtiva: do atual ao projetado

A fábrica opera hoje em dois turnos, produzindo Dolphin Mini, King, Song Pro e Atto 2. A capacidade instalada atual é de 150 mil unidades/ano. O salto para 300 mil está desenhado para coincidir com a maturidade dos novos galpões.

O teto ambicioso, citado pelo CEO global Wang Chuanfu na inauguração, é de 600 mil veículos anuais. O investimento total no complexo de 4,65 milhões de m² — o maior da BYD fora da China — soma R$ 5,5 bilhões.

O que observar daqui para frente

A entrada do terceiro turno em 2026 será o termômetro real da demanda e da maturidade da cadeia de fornecedores locais. Se a estamparia entregar no prazo, o primeiro carro 100% “feito na Bahia” (estrutura, solda, pintura) sai da linha antes do Carnaval de 2027.

Para fornecedores e investidores, o sinal claro é: a janela para se integrar a essa cadeia nacionalizada está aberta agora. Quem esperar a inauguração oficial da fase 2 chega tarde.