Justiça

Golpe do “brinde” usa sua foto para roubar R$ 36 mil em horas

Caixa de entrega com logotipo de marketplace e panela de pressão, representando golpe do brinde
Golpe do brinde usa entrega falsa de panela para roubar dados bancários via reconhecimento facial

Dois moradores de Orlândia, no interior de São Paulo, perderam juntos mais de R$ 36 mil em menos de 24 horas após aceitarem uma “entrega surpresa” na porta de casa. O golpe é simples, rápido e explora a confiança que ainda depositamos em encomendas inesperadas.

Tudo começa com um objeto atrativo — uma panela de pressão nova, dentro de caixa com logotipo de grande marketplace — e termina com o rosto da vítima servindo de chave para esvaziar contas bancárias via reconhecimento facial.

Como a armadilha funciona na prática

Uma mulher abordou a primeira vítima no momento em que ela retornava do supermercado. A entregadora conhecia o nome completo e alegou que o item era um brinde por compras recentes na plataforma. Para “confirmar o recebimento”, pediu uma foto do rosto.

A vítima hesitou, mas como havia aberto uma conta digital nos dias anteriores, achou que poderia ser legítimo. A golpista fotografou o rosto, entrou no carro que a esperava e partiu. Na madrugada seguinte, dois saques — de R$ 807,77 e R$ 1.461,02 — já haviam sido debitados.

O segundo alvo: prejuízo de R$ 34 mil

Horas depois, um aposentado da mesma cidade caiu na mesma dinâmica. O valor drenado da conta dele chegou a R$ 34 mil. A Polícia Civil registrou ambos os casos como estelionato e trabalha com a hipótese de que a mesma quadrilha atuou nas duas abordagens, dado o curto intervalo e o modus operandi idêntico.

Câmeras de segurança gravaram a ação. O delegado Otávio Volpini confirmou que o rastreamento do dinheiro já foi iniciado e que a identificação da mulher filmada está em andamento.

Por que a foto do rosto abre as portas do banco

Segundo o especialista em cibersegurança Vinícius Olivério, a selfie capturada na porta de casa é usada para burlar a autenticação biométrica dos aplicativos bancários. “O que seria uma barreira extra de proteção vira a chave do cofre nas mãos do criminoso”, explica.

Marketplaces e transportadoras não exigem foto de rosto para validar entregas. Qualquer pedido nesse sentido deve ser tratado como tentativa de fraude.

Checklist rápido: o que fazer se tocar a campainha com “brinde”

  • Recuse a foto. Nenhuma empresa legítima pede biometria facial na porta.
  • Não informe dados. Nome, CPF ou endereço já podem estar nas mãos do golpista.
  • Confira nos canais oficiais. Entre no app ou site da loja e veja se há alguma promoção ativa no seu CPF.
  • Avise a polícia. Registre boletim de ocorrência mesmo que não tenha aceito a encomenda.

O que observar daqui para frente

Quadrilhas especializadas em engenharia social estão migrando para golpes presenciais combinados com fraude digital. O reconhecimento facial, antes visto como barreira intransponível, virou alvo preferencial porque muitas vítimas ainda não associam a selfie na porta de casa à invasão da conta bancária.

Se você ou alguém da família recebe encomendas frequentes, combine um protocolo: nada de foto, nada de pressa, checar antes de aceitar. O preço da desconfiança é zero; o da confiança mal colocada, neste caso, passou de R$ 36 mil em poucas horas.