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Empate técnico histórico: o que a virada de 3 pontos revela sobre 25 de outubro…

Gráfico de pesquisa eleitoral mostra empate técnico: Flávio Bolsonaro 50,5% e Lula 49,5% nos votos válidos Ipespe
Pesquisa Ipespe/Abrapel aponta empate técnico histórico entre Bolsonaro (50,5%) e Lula (49,5%) a dias da eleição.

Pela primeira vez desde o início do segundo turno, a distância entre os dois candidatos caiu para apenas um ponto percentual nos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 50,5% contra 49,5% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo levantamento Ipespe/Abrapel divulgado nesta sexta-feira (23). O empate técnico redefine completamente a estratégia dos últimos dias de campanha.

A margem de erro de 2,6 pontos percentuais engole qualquer vantagem numérica. Em termos práticos, o cenário é de indefinição total a menos de uma semana da votação.

Como a vantagem de 5,4 pontos evaporou em três semanas

Na primeira pesquisa pós-primeiro turno, realizada dois dias após a votação de 4 de outubro, Flávio marcava 52,7% contra 47,3% do petista. A diferença de 5,4 pontos colocava o senador fora da margem de erro. O movimento desde então foi linear e consistente: aproximação de aproximadamente 1,8 ponto por semana.

O primeiro turno já havia sinalizado a disputa mais acirrada desde a redemocratização. Flávio obteve 47,03% (56,1 milhões de votos) contra 45,16% de Lula (53,8 milhões) — diferença de 1,87 ponto percentual. O segundo turno apenas estende essa dinâmica.

O que os números não mostram: abstenção e voto oculto

Especialistas ouvidos reservadamente apontam três variáveis que as pesquisas capturam mal e que podem virar o jogo nas urnas:

  • Abstenção seletiva: no primeiro turno, 31,5 milhões de eleitores não compareceram. O perfil de quem falta costuma pender para um dos lados de forma assimétrica.
  • Voto “silencioso”: segmentos que evitam declarar preferência por medo de represália social ou profissional.
  • Indecisos de última hora: 4% a 6% do eleitorado ainda não firmou escolha, segundo tracking internos de ambos os comitês.

O comitê de Flávio aposta no “voto silencioso” contra o que chama de “barulho” da máquina federal. A campanha de Lula trabalha para converter a estrutura de get-out-the-vote em comparecimento real nos grotões do Nordeste.

Reforma tributária virou arma de persuasão no varejo

Nos últimos dez dias, ambos os candidatos passaram a explorar o mesmo tema: a reforma tributária. Lula defende o cashback para famílias de baixa renda como conquista imediata. Flávio rebate com o “vira-pix” — a promessa de devolução instantânea via Pix para quem ganha até dois salários mínimos.

A disputa pelo vocabulário econômico mira o eleitor médio que vota com o bolso. Pesquisas qualitativas indicam que “dinheiro na conta” ressoa mais que “crédito futuro” entre indecisos das classes C e D.

Metodologia e limite da leitura

Foram 1.500 entrevistas por telefone entre 20 e 22 de outubro, registro TSE BR-04350/2026, recursos próprios do instituto. Amostra nacional, 95% de confiança. Telefone fixo e móvel.ponderado por sexo, idade, escolaridade, região e renda.

O desenho amostral não captura eleitores sem acesso a telefone ou que bloqueiam chamadas desconhecidas — grupo que cresce 12% ao ano.

O que observar nos próximos 72 horas

Três sinais dirão se a tendência de aproximação se sustenta ou inverte: tracking diário de abstenção projetada por região, adesão de líderes regionais que ficaram neutros no primeiro turno e repercussão do último debate televisivo nas redes de WhatsApp acima de 50 mil membros. Quem ler esses indicadores antes da urna terá vantagem analítica — e, talvez, antecipação de mercado.