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Milei escapa de investigação por $LIBRA: o que o arquivamento esconde

Javier Milei em coletiva presidencial com gráfico de criptomoeda $LIBRA caindo ao fundo
Milei evita investigação criminal sobre promoção da meme coin $LIBRA que causou prejuízos milionários.

O juiz federal Marcelo Martínez de Giorgi determinou o arquivamento da investigação criminal contra Javier Milei e sua irmã Karina nesta sexta-feira (23), a pedido do promotor Eduardo Taiano. O caso envolvia a promoção da meme coin $LIBRA pelo presidente argentino em fevereiro de 2025.

Mas a decisão judicial deixa mais perguntas do que respostas. Por que o Ministério Público abriu mão de apurar um colapso que queimou milhões de investidores em poucas horas?

O tuíte que virou pesadelo jurídico

Em 14 de fevereiro, Milei publicou na rede social X uma recomendação direta à $LIBRA, uma criptomoeda praticamente desconhecida até então. O efeito foi imediato: o ativo disparou em minutos, atraindo especuladores de todo o mundo.

Horas depois, o presidente apagou a postagem. Alegou ter agido “de boa-fé” e negou qualquer vínculo com os criadores do token. O preço despencou na mesma velocidade, deixando um rastro de prejuízos.

Por que a investigação nasceu — e por que morreu

O inquérito apurava possível fraude no lançamento da moeda e uso indevido de influência presidencial. Foram meses de coleta de depoimentos, quebras de sigilo e análise de fluxos financeiros.

Segundo o jornal La Nación, o promotor Taiano concluiu não haver elementos suficientes para sustentar uma denúncia formal. A decisão do juiz Martínez de Giorgi apenas formalizou esse entendimento.

O que os números mostram

  • Valorização pico: mais de 3.000% em menos de uma hora após o tuíte presidencial
  • Queda subsequente: 94% nas 24 horas seguintes
  • Volume negociado: estimado em US$ 250 milhões no dia do colapso
  • Carteiras suspeitas: 17 endereços concentraram 78% da liquidez inicial

Esses dados constam nos autos do processo, mas não foram suficientes para configurar crime na visão do Ministério Público.

O efeito nos mercados e na política

O arquivamento tira um peso das costas do governo, mas não apaga a mancha reputacional. Analistas de risco político em Buenos Aires e Nova York mantêm alertas sobre a exposição do presidente a ativos de alta volatilidade.

Para o investidor institucional, o episódio reforça a necessidade de due diligence reforçada em qualquer ativo tocado por figuras públicas — especialmente em jurisdições com marco regulatório ainda em construção.

O que observar daqui para frente

A Comissão Nacional de Valores (CNV) da Argentina ainda pode abrir procedimento administrativo paralelo. Não há prazo definido, mas fontes do mercado indicam que a autarquia estuda endurecer regras de influencer marketing cripto.

Além disso, ações civis individuais seguem tramitando. Investidores lesados buscam reparação por danos materiais, argumentando que a recomendação presidencial configurou oferta pública irregular.

O próximo capítulo não será no tribunal criminal. Será na arena regulatória — e no bolso de quem confiou cegamente em um tuíte presidencial.