Cinquenta organizações da sociedade civil entregaram ao Tribunal Superior Eleitoral uma denúncia formal sobre moderação obscura de conteúdo político nas grandes plataformas. O documento aponta riscos diretos à integridade do pleito de 2026.
A nota, assinada pelo coletivo DiraCom, descreve bloqueios de contas, redução algorítmica de alcance e a desativação súbita da ferramenta de anúncios da campanha à reeleição. As entidades falam em “forças poderosas” atuando para desestabilizar o processo democrático.
O que as plataformas não explicam
A queixa central é a ausência de transparência. Usuários, comunicadores e perfis políticos relatam sanções sem justificativa clara ou direito a recurso. Não há critérios públicos para a distribuição de material político — nem para sua supressão.
Em paralelo, o TSE concedeu 24 horas para que Meta e X detalhem como operam a distribuição de conteúdo eleitoral em seus sistemas. A determinação partiu do corregedor Ricardo Villas Bôas Curva.
O caso do “Exército do Lula” e a disputa interna no Tribunal
O canal de WhatsApp criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) tornou-se epicentro de uma queda de braço entre ministros. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, atendeu a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e determinou verificação rigorosa nas publicações do grupo.
Horas depois, o ministro Floriano de Azevedo Marques proibiu que qualquer decisão individual suspenda ou restrinja o canal novamente. A medida blinda o espaço contra novas ordens monocráticas.
- 50 organizações assinam a nota ao TSE
- 24 horas para Meta e X explicarem distribuição de conteúdo
- 1 canal no centro de decisões contraditórias na Corte
O que as entidades exigem da Justiça Eleitoral
Na petição ao corregedor, o DiraCom defende que ações contra desinformação precisam de três pilares: provas concretas, devido processo legal e respeito à liberdade de expressão. O receio é que o combate a notícias falsas sirva de pretexto para silenciamento seletivo.
As organizações alertam que a moderação opaca, somada a decisões judiciais divergentes, cria insegurança jurídica para campanhas, jornalistas e eleitores. O cenário favorece quem controla os algoritmos — não quem fiscaliza.
O que observar nas próximas semanas
A resposta de Meta e X ao TSE deve esclarecer se há padrões automatizados de supressão de alcance para determinados atores políticos. Paralelamente, a coerência interna do Tribunal será testada: decisões monocráticas conflitantes enfraquecem a previsibilidade das regras do jogo eleitoral.
Para quem atua em comunicação política, marketing digital ou monitoramento de risco regulatório, o sinal é claro: a arena das redes deixou de ser técnica e virou campo de disputa institucional. Acompanhar os próximos despachos do corregedor e as respostas das big techs não é opcional — é estratégico.
