A DPSP, controladora das bandeiras Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco, transformou a vacinação em vetor de crescimento: a demanda por imunizantes saltou 15% em 2026. A estratégia passa pela instalação massiva de salas dedicadas, que já cobrem mais de um quarto da rede.
Mas o número de salas é apenas a ponta do iceberg. O verdadeiro jogo está na mudança de hábito do consumidor que fez a empresa dobrar a aposta.
Como 466 salas mudaram a dinâmica das lojas
Até o momento, o grupo ativou 466 salas de vacinação, o equivalente a 28% do total de unidades. A meta não é apenas oferecer o serviço, mas converter a ida à farmácia em rotina de prevenção, não só de emergência.
O resultado imediato aparece no fluxo de caixa: apenas em 2025, vacinas e serviços correlatos geraram R$ 66 milhões em receita. Isso representa um avanço de 58,4% frente a 2024, ano em que a rede contava com 425 salas — expansão de 20,4% na infraestrutura em apenas doze meses.
O gatilho que veio do comportamento do cliente
A primeira sala foi aberta em 2020, mas a aceleração recente nasceu da observação de um padrão claro: praticidade e proximidade passaram a ditar a escolha do local de vacinação. Famílias, adultos acima de 50 anos e idosos lideram a procura.
O portfólio acompanha essa demanda com foco em alto valor agregado:
- Gripe e dengue (sazonalidade forte);
- Herpes-zóster e HPV (ticket médio elevado);
- Meningite e febre amarela (exigência de viagem e escola).
Além da sala: o modelo “Espaço Viva Saúde”
A empresa não parou nas salas padrão. Três unidades operam no formato Espaço Viva Saúde, estruturas maiores que funcionam como hubs de serviços assistenciais. A ideia é ampliar o tempo de permanência do cliente na loja e aumentar a cesta de serviços além do balcão de medicamentos.
Essa abordagem mira a fidelização de um público que envelhece e valoriza a resolução única: consulta, exame rápido e vacina no mesmo endereço.
O que observar daqui para frente
A cobertura de 28% das lojas ainda deixa margem geográfica significativa para expansão orgânica. Se o ritmo de 20% ao ano na base de salas se mantiver, a rede pode ultrapassar 550 pontos com vacinação já no próximo ciclo.
Para investidores e gestores do varejo farma, o indicador-chave deixa de ser apenas “venda de caixa” e passa a ser “receita por metro quadrado de área assistencial”. A vacinação provou ser o produto de entrada mais eficiente para capturar o tráfego qualificado que o varejo tradicional disputa a peso de ouro.
