Economia

Tesouraço, saidinha e general traidor: a guerra na TV que…

Lula e Flávio Bolsonaro em horário eleitoral com general Santos Cruz ao fundo
Guerra eleitoral na TV: Lula ataca cortes de gastos enquanto Flávio Bolsonaro reapresenta promessas às mulheres

Lula e Flávio Bolsonaro ocuparam o horário eleitoral desta quarta-feira (21) com estratégias opostas: um atacando cortes de gastos, o outro reapresentando promessas às mulheres. O que está em jogo vai muito além da retórica de campanha.

O programa do petista estreou peça inédita. O depoimento do general Santos Cruz, ex-ministro de Jair Bolsonaro, criticando o pai e o filho do clã, foi o golpe final de uma narrativa construída para assustar o eleitorado dependente de benefícios sociais.

O que o “tesouraço” ameaça na prática

A propaganda de Lula traduziu o termo técnico em consequências diretas. Três programas entraram na mira:

  • Bolsa Família — base de renda para 21 milhões de famílias
  • Pé-de-Meia — poupança estudantil recém-criada
  • Farmácia Popular — medicamentos gratuitos ou subsidiados

O vice Geraldo Alckmin apareceu para ampliar o palanque: “não é preciso ser petista para votar em Lula”. A fala mira o eleitor de centro que rejeita o bolsonarismo, mas não se identifica com a esquerda.

Flávio aposta no já testado e no “Brasil por Elas”

O candidato do PL não trouxe novidades. Reexibiu o pacote voltado ao eleitorado feminino: centros para autismo, vale-creche, manutenção do Bolsa Família e endurecimento penal — redução da maioridade e fim da saidinha.

O trecho do debate na Band, onde Lula defende a saída temporária, foi repetido como prova de “frouxidão” na segurança. Ao final, atos de apoio e depoimentos de aliados tentaram passar volume de campanha.

Duas visões de Estado em confronto direto

De um lado, o petista vende expansão: Novo PAC, obras paradas retomadas, salário mínimo valorizado, geração de emprego. Do outro, o liberal sinaliza contenção: corte de gastos, endurecimento penal, Estado mais enxuto.

A comparação com o governo Jair Bolsonaro — obras paralisadas, segundo a peça de Lula — funciona como lembrete do passado recente. O depoimento de Santos Cruz, gravado para o canal “Revelando” no YouTube, dá carimbo de “inimigo interno” à crítica.

O que observar nos próximos blocos

Três movimentos definirão a reta final na TV: se Flávio manterá apenas reprises ou trará propostas novas; como Lula dosará medo de cortes versus realizações do PAC; e se o eleitorado feminino — alvo prioritário de ambas as campanhas — responderá ao vale-creche ou ao discurso de segurança. O horário eleitoral segue até 3 de outubro. Cada minuto disputa a narrativa que levará o voto à urna.