Economia

O desafio nº 1 para 2027: economia supera segurança e divide eleitorado

Gráfico da pesquisa Quaest mostra economia como prioridade para 21% do eleitorado em 2027, segurança com 13% e 19% sem opinião
Pesquisa Quaest revela que economia lidera prioridades para 2027 com 21%, à frente da segurança pública (13%).

Crescer a economia e tirar o país da crise é a prioridade absoluta para 21% do eleitorado, segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21). O número coloca o tema muito à frente da segurança pública, segunda colocada com 13%. Mas há um detalhe crucial: quase um em cada cinco entrevistados não soube ou não quis responder.

O levantamento ouviu 2.154 pessoas entre 17 e 20 de outubro, com margem de erro de dois pontos percentuais. O cenário desenha um mandato que nasce sob pressão fiscal intensa e expectativa social elevada.

A economia disparada na frente

A distância entre o primeiro e o segundo colocado é de oito pontos percentuais. Não é pouca coisa em se tratando de agenda presidencial. Veja como ficou o ranking das prioridades espontâneas:

  • Crescimento econômico / sair da crise: 21%
  • Combater a violência e o crime: 13%
  • Controlar a inflação: 7%
  • Combater a corrupção: 7%
  • Melhorar a saúde: 7%
  • Diminuir a pobreza e a fome: 5%
  • Gerar empregos: 5%

Temas como divisão política, carga tributária e dívida pública aparecem com 3% cada. Educação e relação institucional ficam com 2%. O bloco “Outros” soma 6%.

O peso dos indecisos e a armadilha da interpretação

Os 16% de “não sabe/não respondeu” não são ruído estatístico. Representam um eleitorado que não consegue nomear uma urgência única — ou que vê o conjunto da obra como problema. Para estrategistas, esse grupo costuma definir eleições no segundo turno.

Além disso, a soma dos itens estritamente econômicos (crescimento, inflação, empregos, impostos, dívida) ultrapassa 35%. A segurança, sozinha, não chega a 15%. O recado é claro: o bolso segue ditando o voto.

Cenário de 2º turno e rejeição: o termômetro do momento

A mesma pesquisa testou um eventual segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula. O placar está tecnicamente empatado: 45% a 44%. A aprovação do governo atual oscila em 46%, contra 47% de desaprovação.

O dado de rejeição pessoal chama atenção: Flávio Bolsonaro atinge 52%, enquanto Lula marca 47%. Em eleições majoritárias, rejeição alta costuma ser obstáculo mais difícil de contornar do que aprovação baixa.

Renda em alta, humor em baixa?

Paradoxalmente, 69% dos brasileiros afirmam que a renda aumentou no último ano. A percepção de melhora individual não se traduz, porém, em otimismo coletivo sobre a direção do país. O desconexo entre “meu bolso” e “o Brasil” explica por que o crescimento econômico lidera as cobranças: o eleitor quer que a melhora pessoal vire política de Estado sustentável.

O que observar daqui para frente

Com a eleição ainda distante, três variáveis devem ditar a pauta: a trajetória do arcabouço fiscal, a taxa de desemprego real e a capacidade do Congresso de aprovar reformas tributárias que não congelem investimentos. Quem conseguir transformar a sensação de “renda subiu” em “economia cresce” chega na largada de 2027 com vantagem competitiva real.