Pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) revela que 39% do eleitorado brasileiro se autodeclara de direita, contra 25% que se posicionam à esquerda. O dado expõe uma assimetria ideológica relevante a menos de dois anos da disputa presidencial de 2026.
O levantamento, realizado entre 17 e 20 de outubro com 2.154 entrevistados, tem margem de erro de dois pontos percentuais. O que chama a atenção não é apenas a liderança numérica, mas a composição granular desse eleitorado.
O “Independente” é o novo fiel da balança
Ao detalhar o posicionamento em uma escala mais fina, a pesquisa quebra a dicotomia tradicional. O maior grupo isolado não é nem bolsonarista nem lulista: são os independentes (27%).
Esse bloco supera numericamente tanto os identificados com o bolsonarismo (15%) quanto com o lulismo (20%). Para estrategistas de campanha e analistas de risco político, isso sinaliza que a eleição não está decidida nas bases consolidadas, mas no centro flutuante.
- Direita não bolsonarista: 21%
- Lulista: 20%
- Independente: 27%
- Bolsonarista: 15%
- Esquerda não lulista: 14%
Some-se a isso os 23% que se dizem de centro e os 7% sem identificação ideológica. O resultado é um eleitorado onde a maioria absoluta (mais de 50%) foge dos polos organizados.
Como o eleitor enxerga os protagonistas
A percepção sobre os pré-candidatos naturais reforça a polarização de rótulos, mas com nuances. Para 63% dos entrevistados, Lula (PT) é “esquerda”. Já Flávio Bolsonaro (PL) é visto como “direita” por 68%.
O dado curioso está nos dissidentes: 18% classificam Lula à direita e 13% veem Flávio Bolsonaro à esquerda. Essas minorias representam bolsões de confusão ou rejeição ao rótulo partidário tradicional que podem migrar conforme o discurso de campanha.
O impacto direto na mesa de decisões
Para o setor produtivo e investidores, a leitura vai além da horse race eleitoral. A fragmentação ideológica — com um bloco de centro/direita não bolsonarista de 21% e um centro/esquerda não lulista de 14% — sugere que qualquer projeto de poder precisará de coalizões amplas e pragmáticas.
Cenários de radicalização unilateral perdem força quando o eleitorado majoritário se recusa a carimbar a ficha ideológica. Isso tende a forçar plataformas mais moderadas em temas fiscais, regulatórios e de relação com o agronegócio e o mercado financeiro.
Dados paralelos da mesma rodada de pesquisas indicam índices de rejeição elevados para os dois polos (Flávio Bolsonaro com 52%, Lula com 47%), o que reforça a tese de uma eleição decidida no “menos pior” ou na alternativa viável de centro.
O que observar daqui para frente
A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-08535/2026. O próximo termômetro relevante será a capacidade de candidatos de centro-direita e centro-esquerda de capturar o voto “independente” sem alienar suas bases.
Monitore a migração dos 21% de “direita não bolsonarista” e dos 14% de “esquerda não lulista”. Se esses grupos convergirem para um nome único, a geometria da sucessão muda radicalmente. Enquanto isso, o cenário base continua sendo de alta volatilidade e baixa previsibilidade ideológica.
