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Você não vai acreditar: Brasil passa Arábia Saudita na China…

Navio petroleiro brasileiro carregando petróleo bruto para exportação à China
Brasil supera Arábia Saudita e torna-se 2º maior fornecedor de petróleo à China em 2024.

O Brasil acabou de ultrapassar a Arábia Saudita e se consolidou como o segundo maior fornecedor de petróleo bruto para a China nos primeiros nove meses do ano. A virada marca uma reconfiguração significativa no tabuleiro energético global. Mas o que essa mudança real significa para o bolso do investidor e para a geopolítica do óleo?

Os números que desenham a virada

Dados alfandegários chineses revelam que, entre janeiro e setembro, o Brasil embarcou 44,29 milhões de toneladas contra 43,12 milhões de toneladas dos sauditas. A diferença parece pequena, mas a trajetória de cada lado conta a história real: enquanto as importações brasileiras aceleram, as do reino do Golfo despencam.

Olhando apenas para setembro, o contraste fica ainda mais nítido. O volume brasileiro atingiu 5,15 milhões de toneladas (1,25 milhão de bpd), uma alta de 18% na comparação anual. Do lado saudita, o tombo foi de 62%, para apenas 2,70 milhões de toneladas (660 mil bpd).

Rússia segue intocável na liderança

Apesar da dança de cadeiras no segundo posto, a Rússia mantém a hegemonia absoluta. Em setembro, Moscou vendeu 9,94 milhões de toneladas (2,42 milhões de bpd) à China, alta de 20% ano a ano. É mais que o dobro do volume brasileiro no mês.

Essa dependência chinesa do óleo russo — muitas vezes com desconto sobre o Brent — continua a ditar o ritmo do mercado asiático. O Brasil ganha espaço, mas joga em outra liga de volume.

O mapa dos demais fornecedores em setembro

A tabela abaixo resume o desempenho dos principais players no nono mês do ano, evidenciando quem ganha e quem perde espaço na maior refinaria do mundo:

  • Rússia: 9,94 mi ton (+20% a/a)
  • Brasil: 5,15 mi ton (+18% a/a)
  • Iraque: 4,84 mi ton (-19% a/a)
  • Emirados Árabes: 3,00 mi ton (+5% a/a)
  • Arábia Saudita: 2,70 mi ton (-62% a/a)
  • Kuwait: 1,62 mi ton (+71% a/a)
  • Omã: 1,22 mi ton (-54% a/a)
  • Angola: 0,93 mi ton (-57% a/a)

O clube dos “zero importação” chama atenção

Um dado silencioso, mas eloquente: Estados Unidos, Venezuela e Irã registraram importações nulas em setembro, repetindo o mesmo padrão de um ano atrás. Sanções, logística e escolhas estratégicas mantêm esses três gigantes fora do radar chinês, abrindo lacunas que Brasil e Rússia vêm preenchendo com eficiência.

Vale notar a volatilidade de players como Malásia (-70%) e Iraque, que apesar da queda anual, saltou 248% frente a agosto. O mercado spot chinês reage rápido a janelas de arbitragem e disponibilidade de nióbio.

O que o empresário deve monitorar daqui para frente

A ascensão brasileira não é acidente; reflete a qualidade do óleo do pré-sal, a logística de terminais como o de São Sebastião e a disposição chinesa em diversificar riscos geopolíticos. Para quem negocia commodities, acompanha balança comercial ou precifica fretes, o recado é claro: a curva de suprimento da China está mais sul-americana e menos do Golfo Pérsico.

Fique de olho nos leilões de cessão onerosa e na capacidade de escoamento da Petrobras. Se a produção brasileira não acompanhar a demanda chinesa, a Arábia Saudita — com capacidade ociosa — pode retomar o posto num piscar de olhos. O próximo relatório da OPEP e os dados de importação de outubro dirão se a virada veio para ficar ou foi apenas um “spot” de sorte.