O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) removeu do ar publicações antigas em que chamava o Bolsa Família de “bolsa-farelo” e atacava o programa como instrumento eleitoreiro. A exclusão ocorre a dias do segundo turno contra Lula (PT), criador do benefício.
A descoberta partiu do Estado de S. Paulo, que arquivou todo o histórico do perfil no X (antigo Twitter) em junho. Procurada, a campanha não se manifestou até o fechamento desta edição.
O que diziam os posts apagados
Entre 2010 e 2011, quando era deputado estadual no Rio, Flávio publicou uma série de mensagens contra a criação do “Renda Melhor”, complemento estadual de até R$ 300 para beneficiários do programa federal. Foi o único voto contrário na Alerj.
- Novembro de 2011: “Fui o único voto contra na @alerj ao projeto ‘Renda Melhor’, q chamei de ‘bolsa-farelo’, pelo seu caráter clientelista eleitoral.”
- Março de 2010: “3% da população tem ensino superior, 30 milhões recebem bolsa-família, 80% dos eleitores votam em troca de alguma coisa.”
- Abril de 2010: “Enquanto se trocar voto por cesta básica, bolsa-família e esmola o Brasil não vai para frente.”
Em outra postagem, compartilhou notícia sobre reajuste do benefício com a legenda: “Financiamento público de campanha do pt!”
Reação imediata nas redes
O perfil oficial do PT no X resgatou prints e publicou: “Você não engana ninguém, Flávio”. Aliados do presidente Lula usam o material para questionar a coerência do adversário junto ao eleitorado que depende do programa — hoje com mais de 21 milhões de famílias ativas.
Mas o efeito mais relevante aparece em outro flanco.
A polêmica da “regra de proteção” e o plano de governo
Dias antes, Daniella Marques, coordenadora do plano de governo, declarou em entrevista que a gestão Flávio ampliaria para dois anos o período em que o beneficiário mantém o auxílio após conseguir emprego formal ou abrir negócio.
Atualmente, a regra de proteção garante 50% do valor por 18 meses quando a renda per capita supera R$ 218. Até 2023, esse prazo era de 24 meses — ou seja, a proposta apenas restauraria o patamar anterior.
Ouvintes interpretaram a fala como intenção de limitar o benefício a dois anos no total. A campanha divulgou vídeos negando: “O que estou fazendo é para incentivar você, quando arrumar emprego de carteira assinada, continuar recebendo por até dois anos”, disse Flávio.
O que observar daqui pra frente
Três pontos merecem atenção nos próximos dias: se o TSE será acionado para analisar a exclusão de conteúdo político em período eleitoral; como o eleitorado do Nordeste — onde o Bolsa Família tem maior penetração — recebe a narrativa de “mudança de lado”; e se a campanha conseguirá separar o debate sobre a regra de transição da acusação de fim do programa. O segundo turno será decidido em detalhes como esses.
