Economia

Motos em 2026: setembro freia, mas ano caminha para recorde histórico

Fileira de motos zero-quilômetro em concessionária brasileira, simbolizando recorde histórico de vendas em 2026
Setembro estagnou com 205 mil emplacamentos, mas 2026 já é o melhor ano da história para motos no Brasil.

As vendas de motos no Brasil praticamente não se moveram em setembro, mas o ano de 2026 já entrou para a história como o melhor janeiro a setembro de todos os tempos. Foram 205 mil unidades emplacadas no mês, uma variação negativa de apenas 0,09% sobre agosto.

O acumulado, porém, conta outra história: 1,78 milhão de motos nas ruas, alta de 10,5% sobre 2025. A indústria aposta em fechar o ano acima de 2,35 milhões. O que explica essa desconexão entre o mês parado e o ano bombando?

O mês que não andou, mas não recuou

A Fenabrave define o resultado como “próximo da estabilidade”. Na prática, setembro repetiu agosto — algo raro em um mercado sazonal. O crédito mais caro e a cautela do consumidor seguraram o ímpeto, mas não tiraram o pé do acelerador no agregado do ano.

Do lado da produção, o Polo Industrial de Manaus entregou 186.758 unidades no mês, o melhor setembro desde 2011. Fábricas estocam para atender a demanda que, segundo a Abraciclo, segue aquecida por lançamentos e pela busca por mobilidade barata.

Honda dita o ritmo; Pop ultrapassa a Biz de novo

A marca japonesa colocou sete modelos no top-10 e abocanhou 67% das vendas de setembro. A CG 160 sozinha vendeu 48.835 unidades — quase uma em cada quatro motos do mês. No ano, a fatia sobe para 65,5%, contra 13,9% da Yamaha.

A briga interna chama atenção: a Pop 110i (24.277) voltou a passar a Biz 125 (23.355), repetindo agosto. O modelo de entrada ganha espaço com preço mais baixo e apelo entre entregadores iniciantes.

  • CG 160: 48.835 (set) | 404.509 (ano)
  • Pop 110i: 24.277 | 188.622
  • Biz 125: 23.355 | 201.553
  • NXR 160 Bros: 17.449 | 148.919
  • Mottu Sport 110i: 7.937 | 86.907

Mottu desacelera; médias cilindradas crescem

A Sport 110i, moto de aluguel da Mottu para entregadores, caiu 33,8% no mês — 7.937 unidades. Ainda é a quinta mais vendida, mas a queda sugere saturação no modelo de frota ou migração para modelos próprios.

Enquanto isso, motos de 300 cc surpreendem. A CB 300F Twister saltou 25,8% e a Sahara 300 avançou 24,2%. A Yamaha Fazer 150 entrou no top-10 no nono lugar, empurrando a PCX 160 para fora da lista. O consumidor sobe de categoria quando o bolso permite.

Elétricas: nicho que dobra de tamanho

Foram 1.209 motos elétricas emplacadas em setembro — alta de 161% sobre 2025. Ainda representam menos de 0,6% do mercado, mas a curva é vertical. Novos modelos nacionais e importados barateiam a entrada.

O que observar nos próximos meses

A projeção da Abraciclo de 2,35 milhões para o ano exige média de 190 mil unidades/mês no último trimestre — patamar que setembro não alcançou. O desafio é o crédito: taxas Selic altas encarecem o financiamento, principal alavanca do setor.

Fique de olho na Black Friday de novembro e nas campanhas de fim de ano das montadoras. Historicamente, dezembro responde por 10% a 12% do volume anual. Se o varejo conseguir manter o ticket médio com condições atrativas, o recorde se confirma. Caso contrário, 2026 fecha forte, mas aquém do teto projetado.