Tecnologia

Carga de R$ 2,5 mi em RTX 5090 some em Guarulhos: Ninguém explica

Pallets de placas de vídeo RTX 5090 desaparecidos no aeroporto de Guarulhos
Carga avaliada em R$ 2,5 milhões sumiu no terminal de cargas de Guarulhos

Uma das maiores distribuidoras de hardware do país acusa o principal aeroporto da América Latina de perder dois pallets com as GPUs mais cobiçadas do momento. O prejuízo estimado no custo supera R$ 2,5 milhões, mas o valor de mercado eleva a conta para patamares ainda mais altos. Até agora, nenhuma autoridade sabe dizer onde o equipamento está.

O que desapareceu dentro do terminal

O Grupo Oderço, com quase quatro décadas de operação, relata o sumiço de unidades da GeForce RTX 5090 fabricadas pela Zotac. Estamos falando do topo de linha atual da Nvidia para o mercado geral, com chips que chegam ao varejo brasileiro custando entre R$ 33 mil e R$ 39 mil cada — dependendo da configuração de memória VRAM.

Dois pallets completos evaporaram nas dependências do GRU Airport, em Guarulhos. A empresa não revela a quantidade exata de placas por pallet, mas o volume financeiro indica uma remessa expressiva, possivelmente centenas de unidades.

Por que o varejo e o mercado corporativo devem atenção

Não é apenas uma perda contábil. A RTX 5090 está em escassez global desde o lançamento, com fila de espera em distribuidores e varejistas. Cada unidade desviada do canal oficial alimenta o mercado paralelo ou deixa de abastecer projetos de inteligência artificial, renderização profissional e gaming de alta performance.

  • Valor unitário: R$ 33 mil a R$ 39 mil no varejo nacional.
  • Modelo: Zotac GeForce RTX 5090 (32 GB VRAM).
  • Custo total declarado: ~R$ 2,5 milhões.

O silêncio das autoridades e a quebra de protocolo

O comunicado da Oderço é direto: a empresa decidiu expor o caso publicamente após esgotar as vias administrativas sem resposta conclusiva. A pergunta central permanece no ar: como uma carga de alto valor, rastreada e dentro de área restrita, some sem deixar rastros em um terminal que movimenta milhões de toneladas por ano?

Procuradas, a GRU Airport, a Polícia Federal e a Receita Federal não se manifestaram até o fechamento desta reportagem. A ausência de posicionamento oficial aumenta a pressão sobre a concessionária do aeroporto e os órgãos de fiscalização aduaneira.

Um precedente perigoso para a logística de alto valor

Executivos do setor de tecnologia ouvidos reservadamente classificam o episódio como “atípico e preocupante”. Aeroportos como Guarulhos operam com camadas de segurança — CFTV, controle de acesso biométrico, rastreamento RFID e procedimentos aduaneiros rigorosos. O desaparecimento de pallets inteiros sugere falha sistêmica ou ação coordenada, não erro operacional pontual.

Para a Oderço, a situação é inédita em 38 anos de história. A expectativa é que a publicidade force a abertura de inquérito policial e auditoria interna na concessionária.

O que observar nas próximas semanas

Três frentes devem ditar os desdobramentos: a investigação da Polícia Federal sobre eventual furto qualificado ou roubo de carga; a apuração da Receita Federal sobre a regularidade da importação e o destino tributário da mercadoria; e a resposta da GRU Airport sobre os procedimentos de custódia em seu pátio logístico.

Enquanto o mistério persiste, o mercado de hardware de ponta fica em alerta. Qualquer falha na cadeia de custódia aeroportuária eleva o custo do seguro, retarda liberações alfandegárias e, no limite, repassa a insegurança para o preço final do consumidor.