Economia

IPCA-15 e 2º turno: a semana que define juros e poder…

Gráfico de inflação IPCA-15 e urna eletrônica sobre bandeira do Brasil
Inflação e eleições definem rumo dos juros no Brasil esta semana.

A última semana antes do segundo turno das eleições presidenciais coloca o mercado financeiro em compasso de espera duplo: de um lado, as urnas; do outro, a prévia da inflação que deve ditar o próximo passo do Copom. O resultado dessa disputa entre política e dados económicos pode redesenhar a curva de juros ainda em 2024.

O calendário de pesquisas eleitorais abre a agenda na segunda-feira (19), com AtlasIntel, Nexus e PoderData. Na terça (20), é a vez da Real Time/Big Data. O ciclo se encerra na quarta (21) com a Quaest, último retrato do eleitorado antes do voto. Paralelamente, indicadores de preços pipocam desde cedo, mas todos convergem para a sexta-feira (23).

O choque entre projeções para o IPCA-15

O destaque absoluto é o IPCA-15 de outubro, previsto para as 9h de sexta. Aqui, o consenso quebra: o Itaú projeta alta de 0,51% na margem, empurrando a taxa de 12 meses para 4,8%. O Bradesco, mais contido, aposta em 0,45%. A diferença reside no peso dos alimentos.

Para o Bradesco, a pressão vem do El Niño, que deve levar a alimentação no domicílio à maior variação mensal desde maio. A bandeira verde de energia alivia parte do choque, mas combustíveis seguem pressionando o índice cheio. Essa dispersão nas estimativas sinaliza volatilidade imediata para contratos de DI e dólar assim que o número sair.

Agenda doméstica: o que monitorar antes da sexta

A semana não para no IPCA-15. Segunda-feira carrega um bloco pesado logo cedo: IPC-Fipe às 5h, IGP-10 da FGV às 8h (projeção de 1,44% no mês), Relatório Focus às 8h25 e balança comercial semanal às 15h. Terça é o único dia “limpo” — oportunidade para digerir as pesquisas eleitorais da véspera.

Na quarta (21), a segunda prévia do IGP-M sai às 8h, seguida do fluxo cambial semanal do BC às 14h30. Esse dado de fluxo ganha relevância extra: entradas recordes pós-primeiro turno colocaram o Brasil na liderança de captação entre emergentes, segundo XP e JPMorgan. A continuidade desse movimento depende, em parte, da percepção de risco fiscal nas urnas.

  • Segunda (19): IPC-Fipe, IGP-10, Focus, Balança Comercial.
  • Quarta (21): IGP-M (2ª prévia), Fluxo Cambial.
  • Sexta (23): IPCA-15 (9h) — evento principal.

Exterior enxuto, mas sinais vitais

Lá fora, a agenda esquenta só no fim. Quinta-feira (22) traz pedidos de auxílio-desemprego nos EUA às 9h30 — termômetro do mercado de trabalho para o Fed. Na sexta, às 10h45, o PMI composto da S&P Global de outubro mostra se a maior economia do mundo mantém fôlego. Às 11h, o índice de confiança da Universidade de Michigan fecha a semana, sensível às expectativas de inflação do consumidor americano.

Na zona do euro e Alemanha, PMIs compostos saem nas primeiras horas de sexta (4h30 e 5h). Números abaixo de 50 reforçam recessão técnica na região, o que tende a fortalecer o dólar globalmente e pressionar ativos de risco — incluindo o real.

O que observar daqui para frente

Se o IPCA-15 vier acima de 0,50%, a probabilidade de manutenção da Selic em 10,75% na próxima reunião do Copom ganha força imediata nos modelos de precificação. Um número mais brando, próximo de 0,40%, reabre espaço para discussão de corte residual em 2025. O investidor que leu até aqui sabe: a sexta-feira não encerra a incerteza, apenas define qual variável — juros ou política — vai ditar o ritmo do último bimestre.