Tecnologia

O que 53 empresários de MS descobriram na maior feira de tecnologia da China

Comitiva de 53 empresários de Mato Grosso do Sul na Canton Fair em Guangzhou, China
Empresários sul-mato-grossenses exploram inovações tecnológicas na maior feira de importação da China.

Uma comitiva de 53 empresários de Mato Grosso do Sul está imersa, desde a última quarta-feira (14), em um dos maiores eventos de inovação do planeta: a Canton Fair, em Guangzhou. A missão, organizada pela Fiems, tem duração prevista de 24 dias e já revela um cenário que vai muito além da simples prospecção de fornecedores.

O que eles encontraram nas primeiras visitas muda a forma como a indústria sul-mato-grossense pode pensar sua modernização nos próximos anos. A resposta não está apenas no que comprar, mas no que aprender.

Robôs que limpam, inspecionam e mantêm: a automação saiu do papel

Entre os destaques que chamaram a atenção do grupo estão robôs autônomos para limpeza de painéis solares, equipamentos de inspeção industrial e máquinas para manutenção de áreas verdes. Não são protótipos: são soluções já em operação, prontas para integração em fábricas, propriedades rurais, condomínios e prestadoras de serviço.

Também houve espaço para sistemas de armazenamento de energia, mobilidade elétrica e plataformas de inteligência artificial aplicadas a processos produtivos. O vice-presidente da Fiems, Luiz Gonzaga Crosara Júnior, resume a impressão inicial: a velocidade com que essas tecnologias estão embarcadas nos produtos impressiona até quem já viaja à China há duas décadas.

Por que ainda não há contratos assinados — e por que isso é saudável

Apesar do volume de catálogos, contatos técnicos e reuniões com fabricantes, nenhum negócio foi fechado até o momento. A postura da comitiva é deliberada: cada oportunidade passa por filtro de custo, viabilidade de importação, assistência técnica no Brasil e adequação à realidade regulatória local.

“Ainda é cedo para falar em negociações concluídas”, afirma Crosara. A cautela evita armadilhas comuns em missões internacionais, onde o entusiasmo inicial pode mascarar gargalos logísticos ou falta de suporte pós-venda.

Da “fábrica do mundo” ao laboratório de IA: a virada de chave em 20 anos

A Fiems leva empresários à China há quase 20 anos, por iniciativa do presidente Sérgio Longen. No início, o atrativo era basicamente custo competitivo e escala de produção. Hoje, o país lidera também em desenvolvimento de inteligência artificial, robótica avançada e automação cognitiva.

Essa transição redefine o propósito das missões. A pergunta central deixou de ser “o que podemos comprar ou vender” para se tornar “o que podemos aprender aqui para transformar nossas próprias empresas”.

Setores representados e o impacto esperado na ponta

A delegação reúne líderes de segmentos diversos, o que amplia o espectro de aplicações das tecnologias observadas:

  • Indústria: automação de linhas, inspeção preditiva, robótica colaborativa.
  • Agronegócio: monitoramento autônomo, manutenção de áreas, energia solar limpa.
  • Construção civil: equipamentos autônomos, logística interna, gestão de canteiros.
  • Tecnologia e comunicação: plataformas de IA, integração de dados, soluções SaaS.
  • Alimentos: rastreabilidade, controle de qualidade automatizado, eficiência energética.

Para Crosara, mesmo sem acordos firmados, a missão já cumpre papel estratégico ao orientar investimentos futuros, apontar caminhos para ganho de produtividade e redução de custos operacionais.

O que observar daqui para frente

Os próximos dias da agenda incluem visitas a fábricas, rodadas de negócios setoriais e reuniões com hubs de inovação. O termômetro real será a capacidade das empresas sul-mato-grossenses de traduzir o que viram em projetos piloto, provas de conceito e, eventualmente, parcerias de transferência de tecnologia.

Fique atento a três movimentos: anúncios de parcerias técnicas (não apenas comerciais), editais de inovação estaduais alinhados ao que foi mapeado na China e a adesão de pequenas e médias empresas a consórcios de importação compartilhada — modelo que dilui riscos e viabiliza acesso a tecnologias de ponta.