O Campari Group escolheu o Brasil para lançar mundialmente sua primeira versão pronta do Aperol Spritz, um investimento de cerca de R$ 20 milhões dentro de um aporte maior de R$ 100 milhões previstos para 2026. A decisão não foi por acaso: o país é o quinto maior mercado da companhia italiana e o único onde o Campari original vende mais que na própria Itália.
Mas por que estrear justamente aqui um produto que já existe em versões de terceiros? A resposta está em uma dor real do consumidor brasileiro.
O gargalo que ninguém resolvia
Amanda Capucho, CEO da operação brasileira há três anos, explica que o público adora o drink, mas trava na hora de preparar. Falta conhecimento da receita, proporções exatas ou simplesmente os ingredientes em casa. A empresa levou essa demanda para a matriz na Itália — e obteve sinal verde para criar a solução.
O resultado é uma lata que reúne o Aperol (infusão de mais de 30 ervas vindas da Itália, finalizada em Suape, PE), espumante e água com gás na medida certa. Sem erro, sem esforço.
Por que o Brasil virou laboratório global
A subsidiária brasileira entrega números que chamam atenção da matriz:
- CAGR de 20% nos últimos três anos (taxa de crescimento anual composta)
- Aperol cresce 50% ao ano pela mesma métrica
- Participação de 8% no mercado de destilados, subindo da 8ª para a 3ª colocação desde 2022
- Campari original vende mais no Brasil que na Itália, apesar do país representar só 4,4% da receita global de € 1,5 bilhão no primeiro semestre
No cenário mundial, o Aperol já responde por 29% das vendas do grupo (€ 438 milhões no primeiro semestre), superando com folga o próprio Campari, que fica com 11% (€ 166 milhões).
A estratégia além da lata
O foco não é disputar preço com Diageo e Pernod Ricard, líderes absolutos, nem com a Brown-Forman (dona do Jack Daniel’s), rival direta pela terceira posição. A aposta é em construção de marca e expansão de ocasiões de consumo — especialmente no Norte e Centro-Oeste, onde a penetração ainda é baixa.
“É uma bebida leve, baixa caloria, associada a compartilhar momentos com amigos”, resume Capucho. O perfil casa com o comportamento social brasileiro e abre espaço para crescer fora do eixo Rio-São Paulo.
Como e onde chega ao consumidor
A distribuição começa pelo digital: Amazon, Mercado Livre, aplicativos do Carrefour e da Sonda. A partir de novembro, o varejo físico entra no jogo. A empresa evita prometer datas para outros mercados — a decisão de expansão cabe ao time global, mas Capucho admite que “vários países já ligaram demonstrando interesse”.
O que observar daqui para frente
O lançamento testa se a conveniência de uma lata oficial acelera um crescimento que já beira 50% ao ano. Se der certo, o Brasil vira case para replicação global. Para o executivo que acompanha o setor, vale monitorar dois movimentos: a velocidade de adoção no varejo físico a partir de novembro e a reação dos concorrentes — que até agora assistiram de fora a categoria de spritz pronto crescer sem a marca original no jogo.
