Os índices asiáticos fecharam em queda livre nesta quinta-feira, com o Nikkei tombando quase 5%, enquanto o petróleo ensaia recuperação e o Brasil digere uma enxurrada de anúncios corporativos. O movimento lá fora pressiona o humor local, mas a agenda doméstica reserva gatilhos próprios para ações de peso.
O tombo em Tóquio não foi isolado. Xangai e Hong Kong acompanharam o pessimismo, refletindo dados fracos da economia chinesa e temores renovados sobre juros altos por mais tempo nos EUA. Em contrapartida, as bolsas europeias abrem no azul, num vai-e-vem típico de quem aguarda o payroll americano amanhã.
O que move o petróleo e o minério hoje
O barril do Brent opera em alta moderada, sustentado por estoques americanos abaixo do esperado e tensões geopolíticas no Mar Vermelho. O minério de ferro, porém, segue volátil em Dalian: ganhos matinais foram devolvidos à tarde, com investidores céticos sobre a força da demanda chinesa por aço no curto prazo.
- Brent: +0,8%, cotado acima de US$ 82
- Minério (Dalian): fechou estável, em 820 yuan/tonelada
- Bitcoin: lateralizado na casa dos US$ 63 mil
Essa divergência entre energia e metais define o tom para as commodities brasileiras. Petrobras e Vale tendem a abrir com viés positivo, mas o after-market chinês pode virar a mesa antes do fechamento por aqui.
Telefônica Brasil: JCP de R$ 1,2 bi sinaliza caixa forte
A operadora aprovou Juros sobre Capital Próprio de R$ 1,2 bilhão, equivalentes a R$ 0,70 por ação. O pagamento está previsto para 30 de abril, com base na posição acionária de 26 de março. A generosidade reflete geração de caixa robusta no 4T23 e reforça a tese de “ação de renda” num cenário de Selic ainda elevada.
Analistas destacam que o yield implícito supera 8% ao ano, atrativo frente a renda fixa. Mas atenção: a empresa mantém Capex agressivo para 5G e fibra, o que limita espaço para aumentos futuros nessa mesma magnitude.
Direcional e Azzas: prévias que ditam o ritmo do consumo
A Direcional divulgou prévia operacional com vendas líquidas de R$ 1,1 bilhão no 1T24, alta de 18% ano a ano. O destaque ficou para o programa Minha Casa Minha Vida, que representou 65% do volume. A construtora mineira confirma que o segmento de baixa renda segue blindado do ciclo de juros.
Já a Azzas (fusionada Arezzo&Co + Soma) trouxe números de sell-out do trimestre. O indicador avançou 12% na comparação anual, puxado por Schutz e Animale. O mercado esperava algo próximo de 8%. A surpresa positiva sugere que o consumidor de alta renda mantém apetite, mesmo com endividamento das famílias em patamar recorde.
Assaí e o varejo alimentar: margem sob lupa
O Assaí reportou expansão de 22% na receita bruta do 1T24, para R$ 14,3 bilhões. A abertura de 15 lojas nos últimos 12 meses explica parte do crescimento, mas a margem EBITDA ajustada contraiu 0,4 p.p. A pressão vem de custos logísticos e promoções agressivas para defender market share frente ao Atacadão.
O guidance de 40 a 45 aberturas líquidas em 2024 está mantido. Se a execução entregar, a ação — que acumula queda de 15% no ano — pode virar “value trap” ou oportunidade, dependendo da sua tolerância a risco.
Outros destaques do noticiário corporativo
- CVC: aprovou grupamento de ações na proporção 10:1, visando elevar cotação e liquidez
- Eletrobras: Conselho autorizou emissão de debêntures de até R$ 3 bi para alongar dívida
- Multiplan: vendas mesmas lojas subiram 9,2% em fevereiro, acima da inflação
O que observar nas próximas sessões
O payroll americano de amanhã é o evento macro da semana. Qualquer surpresa acima de 200 mil vagas reacende apostas de Fed “higher for longer” e derruba ativos de risco globalmente. No Brasil, a ata do Copom (terça) e o IPCA de março (sexta) completam o calendário decisivo para a curva de juros.
Do lado micro, a temporada de balanços do 1T24 acelera na semana que vem. Bancos, shoppings e siderúrgicas vão testar se o otimismo das prévias se confirma nos números auditados. Mantenha o radar ligado em revisões de guidance — é lá que o dinheiro grande se posiciona.
