Economia

A volatilidade explodiu e Bill Ackman nunca esteve tão otimista

Bill Ackman otimista em frente a gráficos de bolsa voláteis mostrando oportunidade de investimento
Bill Ackman vê a volatilidade atual como a melhor janela de entrada dos últimos anos para investidores de longo prazo.

A Bolsa atingiu um nível de instabilidade sem precedentes e, para o bilionário Bill Ackman, isso não é motivo de pânico — é a melhor janela de entrada dos últimos anos. O fundador da Pershing Square Capital Management argumenta que a combinação entre fundos passivos e trading algorítmico criou distorções de preço que investidores de longo prazo podem explorar. A pergunta que fica: como separar ruído de oportunidade real?

O motor invisível por trás dos movimentos bruscos

Dois fenômenos estruturais explicam por que ações de empresas sólidas oscilam 20% ou mais em um único pregão. Primeiro, a explosão dos ETFs e fundos indexados: eles compram para replicar índices, não para analisar fundamentos, retirando papéis do free float efetivo. Segundo, casas como Citadel e Millennium operam com alavancagem e modelos de IA que reagem a microvariações de expectativa em milissegundos.

Resultado: quando uma companhia divulga resultado ligeiramente abaixo do consenso, a liquidez some e o preço desaba. Ackman citou o caso da IBM, que caiu 25% em 14 de julho após receita 4% aquém do esperado — um movimento que, no início da carreira dele, seria “raríssimo” para uma empresa desse porte.

Por que isso beneficia quem tem capital permanente

A Pershing Square não precisa fechar posições em 31 de dezembro para reportar performance a cotistas. Essa estrutura permite ignorar a marcação a mercado de curto prazo e manter convicção enquanto a volatilidade assusta o resto do mercado. “É sempre bom reportar um bom ano, mas este não é o objetivo principal”, disse Ackman.

A vantagem prática se traduziu em entradas recentes a preços atrativos em quatro nomes que a gestora admirava há tempos:

  • Microsoft — exposição direta à infraestrutura de IA corporativa
  • Amazon — nuvem e varejo com margens em expansão
  • Meta — eficiência operacional e monetização de Reels
  • Uber — lucratividade consolidada e rede de logística única

A evolução da estratégia: de ativismo a compounding

No passado, a Pershing comprava ativos a 50 centavos de dólar esperando um catalisador — venda de divisão, mudança de gestão, recompra — que levasse o preço ao valor justo. O problema: ao atingir o “dólar”, a tese se esgotava e era preciso caçar a próxima ideia.

Hoje, Ackman prefere pagar 70 centavos por um negócio que vale um dólar — desde que esse dólar tenha trajetória para virar US$ 1,15, US$ 1,30 ou US$ 1,60 nos anos seguintes. A aposta deixa de ser no “evento” e passa a ser na capacidade da empresa de reinvestir capital a taxas superiores ao custo de oportunidade.

O que observar daqui para frente

A concentração de volume em fundos passivos não deve recuar: apenas nos EUA, ETFs e indexados já superam 50% do mercado acionário. Paralelamente, a capacidade de processamento de dados para trading de alta frequência dobra a cada 18-24 meses. Para o investidor individual ou gestor de patrimônio, a lição prática é clara: horizonte de tempo longo deixa de ser virtude e vira vantagem competitiva estrutural. Quem consegue segurar posição enquanto o ruído algorítmico cria pontos de entrada anômalos captura o prêmio de iliquidez que o mercado atual oferece em abundância.