A fintech catarinense Asaas acaba de colocar no mercado sua primeira maquininha física, a Asaas Smart, numa jogada decisiva para bater R$ 1 bilhão de faturamento ainda em 2024 e dobrar essa marca em três anos. O movimento sinaliza que a empresa deixa de ser apenas “software para PMEs” para disputar de igual para igual o varejo físico com gigantes como Stone, Cielo e BTG.
O terminal chega em parceria com a Adyen e será ofertado à base de 300 mil clientes. Aceita débito, crédito, voucher, multibenefícios, aproximação, chip, tarja e Pix via QR code — tudo num único dispositivo. Mas o diferencial não está no hardware.
Por que a maquininha é só a ponta do iceberg
A estratégia de Diego Contezini, CEO e cofundador, é clara: concorrentes sabem fabricar terminais; a Asaas sabe construir software de gestão. A maquininha funciona como porta de entrada para um ecossistema que já oferece antecipação de recebíveis, ERP, emissão de nota fiscal e conta digital integrados nativamente.
Hoje, o pequeno comerciante costuma costurar soluções de fornecedores diferentes, enfrentando falhas de integração e conciliação manual. A aposta da Asaas é resolver essa dor de ponta a ponta, transformando o terminal num “controle remoto” do backoffice.
Números que sustentam a tese
- TPV projetado: R$ 237 milhões em 2026, dobrando no segundo ano de operação
- Base endereçável: 300 mil PMEs já na carteira
- FIDC mais recente: R$ 300 milhões captados no mês passado para financiar crédito
- Aquisição anterior: Helena CRM por R$ 150 milhões em junho
A expectativa é que o volume transacionado pelas maquininhas supere o da Asaas Tap — função que transforma o celular em terminal — já no primeiro ano cheio. Contezini admite que a adesão ao Tap ficou aquém no “Brasil com S”, onde o comerciante ainda valoriza o dispositivo físico.
Construir em vez de comprar
A empresa chegou a sondar o mercado em busca de uma adquirente para aquisição. Não encontrou ativo que se encaixasse no ecossistema proprietário. A decisão foi desenvolver do zero, o que alonga o time-to-market, mas garante autonomia total sobre a stack tecnológica — ativo estratégico para quem planeja IPO no fim da década.
O ritmo de M&As deve acelerar a partir de 2027, com meta de duas transações por ano. O caixa conta com aportes de Bond Capital, SoftBank, 23S Capital e Vivo Ventures. A preparação para listagem — “seja no Brasil, seja lá fora” — já roda há dois anos com a KPMG.
O que observar daqui para frente
A execução da distribuição em escala será o teste de fogo. A Asaas precisará provar que consegue colocar terminais nas mãos de lojistas com a mesma eficiência com que entrega software via nuvem. Logística, suporte de campo e custo de aquisição de cliente (CAC) físico são variáveis novas no modelo.
Outro ponto: a integração real entre terminal e ERP no dia a dia do comerciante. Se a conciliação automática e a antecipação inteligente funcionarem sem atrito, a retenção tende a subir — e o TPV, a seguir. Para investidores e parceiros, o sinal a monitorar é a curva de ativação das primeiras 50 mil maquininhas nos próximos dois trimestres.
