Mario Leão, ex-presidente do Santander Brasil, desponta como o nome mais forte para assumir o comando do Bank of America no país. A vaga será aberta em 26 de outubro com a saída de Eduardo Alcalay, que ficou quase uma década no posto. A decisão final ainda não foi tomada, mas fontes próximas ao processo indicam que o executivo larga na frente.
O movimento chama atenção porque Leão está em garden leave desde julho, quando deixou o Santander alegando vontade de explorar outros setores. O retorno ao topo de um grande banco de investimento soa como uma reviravolta estratégica — tanto para ele quanto para a instituição americana.
Como funciona a sucessão nos bastidores
A escolha está nas mãos de Augusto Urmeneta, presidente do BofA para a América Latina, baseado em Nova York. O processo corre em sigilo, mas envolve uma lista restrita de candidatos com perfil de investment banking e gestão de grande porte. Alcalay comunicou a decisão no início do mês, abrindo uma janela curta para a transição.
Leão carrega um currículo que poucos igualam: passagens por Morgan Stanley, Citi e Goldman Sachs antes dos 11 anos no Santander, cinco deles como CEO. Aos 50 anos, ele conhece a dinâmica de varejo, atacado e wealth management — exatamente o tripé que o BofA busca fortalecer por aqui.
O que explica a preferência do mercado
Três fatores colocam Leão à frente dos concorrentes, segundo interlocutores:
- Execução comprovada: liderou o Santander em ciclo de alta competição e digitalização;
- Trânsito regulatório: relação consolidada com Banco Central e órgãos de controle;
- Disponibilidade imediata: sem amarras contratuais, pode assumir sem longos períodos de transição.
Não é apenas currículo. O BofA mira expansão no crédito corporativo e na assessoria a grandes fortunas — áreas onde Leão tem DNA. A contratação sinalizaria apetite por crescimento orgânico agressivo, não apenas manutenção de mercado.
Riscos e variáveis ainda em aberto
O martelo não está batido. Nomes de dentro da própria casa e de rivais como BTG Pactual e Itaú BBA seguem no radar. A cultura do BofA — mais conservadora e focada em cross-border — difere do varejo de massa que Leão comandava. A adaptação a esse modelo será testada nas próximas entrevistas.
Outro ponto: o próprio executivo disse, em julho, que buscava “novos desafios em outras indústrias”. Aceitar o cargo agora indica que a proposta — ou a autonomia prometida — superou o plano original de diversificação.
O que observar nas próximas semanas
A oficialização deve ocorrer antes do fim de outubro. Se confirmado, o anúncio chega em momento sensível: Selic em alta, inadimplência corporativa pressionada e janela de IPOs praticamente fechada. A estreia de Leão — ou de quem quer que vença — será medida pela capacidade de originar negócios em cenário adverso.
Para investidores e clientes corporativos, o recado é claro: o BofA Brasil não quer ser coadjuvante. A escolha do próximo CEO ditará o ritmo dessa ambição.
