Economia

Dólar salta para R$ 5,01 e Bolsa derrete: pesquisa eleitoral e realização travam rali

Gráfico mostra dólar em alta a R$ 5,01 e Ibovespa em queda de 0,80% com cenário eleitoral incerto
Dólar sobe para R$ 5,01 e Bolsa recua após pesquisa BTG/Nexus mostrar empate técnico eleitoral

O dólar abriu esta terça-feira (13) em alta de 0,55%, negociado a R$ 5,013, enquanto o Ibovespa recuava 0,80% aos 207.383 pontos. O gatilho imediato foi a divulgação da pesquisa BTG/Nexus mostrando Flávio Bolsonaro (PL) com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula (PT) — empate técnico dentro da margem de dois pontos percentuais.

O mercado reagiu à incerteza eleitoral justamente no retorno do feriado prolongado, após uma semana de recordes que levou o índice às portas dos 210 mil pontos. A combinação de novos levantamentos de intenção de voto e ajuste técnico ditou o ritmo dos negócios nas primeiras horas.

Por que o rali perdeu fôlego na volta do feriado

A estrategista Rebecca Nossig, da Nomad, resume o cenário: o tom defensivo reflete a expectativa por novas pesquisas de segundo turno, levando investidores a reduzir risco nas carteiras. O movimento não sinaliza necessariamente o fim do otimismo pós-primeiro turno, mas uma pausa para realização de lucros após a forte valorização acumulada.

Felipe Cima, da Manchester Investimentos, adiciona duas variáveis ao radar: a retomada da divulgação de pesquisas eleitorais e o avanço de pautas como o fim da escala 6×1, que podem elevar a cautela. O debate sobre cortes de gastos públicos também injeta incerteza na formação de preços.

Juros futuros viram e curva abre nos vértices longos

Os contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) acompanharam a aversão a risco. Às 11h10:

  • Jan/2028: +0,14 pp, a 12,675% a.a.
  • Jan/2035: +0,14 pp, a 12,490% a.a.

A alta ocorre após a forte queda da semana passada, quando o mercado precificou vitória associada a maior rigor fiscal. A nova pesquisa mantém a disputa aberta e adia a convergência de expectativas.

Escala 6×1 e Focus: dois eventos que mexem com a semana

O Senado retoma hoje a análise da PEC 221, que prevê o fim da jornada 6×1. São cinco sessões ordinárias antes da votação — três já realizadas. Para Rodrigo Moliterno, da Veedha Investimentos, o tema pode interferir na corrida eleitoral e no fluxo de estrangeiros.

O Boletim Focus, primeiro a captar o resultado do primeiro turno, mostrou elevação da projeção de inflação e redução da estimativa da Selic para 2024. Para 2027, as medianas permaneceram estáveis: IPCA a 4,3%, Selic a 12% e PIB a 1,4%.

Cenário externo: petróleo, Treasuries e balanços nos EUA

O Brent recuava 0,93% a US$ 105,68 o barril, aliviando pressões inflacionárias globais. William Castro Alves, da Avenue, destaca que eventuais acordos entre Rússia e Ucrânia — articulados por Donald Trump — poderiam ampliar a oferta de diesel e derrubar ainda mais os preços da energia.

Nos Treasuries, o rendimento do título de 10 anos caía a 5,233% (-0,08%), enquanto o de 30 anos ficava estável em 5,595%. Em Wall Street, o Dow Jones caía 0,17%, S&P 500 subia 0,02% e Nasdaq operava estável. A temporada de balanços começou com JPMorgan abaixo do esperado e Wells Fargo acima das projeções.

O que observar nos próximos pregões

A agenda concentra três vetores decisivos: novas pesquisas eleitorais (principal driver de fluxo estrangeiro), votação da PEC 221 no Senado amanhã (14) e o CPI americano na quarta-feira — dado que calibrará apostas para a reunião do Fed em 27 e 28 de outubro. Atualmente, o mercado precifica 76,2% de chance de manutenção dos juros nos EUA.

Para o investidor brasileiro, a equação permanece: definição do quadro fiscal pós-eleição versus ruídos legislativos de curto prazo. Quem leu até aqui sabe que a volatilidade deve persistir até que um desses vetores se resolva.