O Ceará fechou 2025 com 19.786 empregos formais em Tecnologia da Informação e Comunicação, alta de 2,8% que coloca o estado à frente de 22% das vagas CLT do setor no Nordeste. O número é apenas a ponta de um movimento que está redesenhando o mapa da inovação no país.
Enquanto o Sudeste ainda concentra o maior volume absoluto, foi o Nordeste quem ditou o ritmo: a região cresceu 4,6% no último ano, deixando para trás Norte (3,9%), Centro-Oeste (2,9%), Sul (1,6%) e Sudeste (1,1%). São cerca de 135 mil profissionais atuando na área, segundo o relatório setorial da Brasscom.
O motor invisível: tecnologia fora das “tech companies”
O dado que mais chama a atenção não está nas startups, mas no varejo, na indústria, na saúde e nos bancos. No Brasil, 552.295 profissionais de tecnologia já trabalham em empresas cuja atividade principal não é TIC.
Esse contingente saltou 2,4% em 12 meses, adicionando mais de 13 mil novos vínculos. A mensagem é clara: saber programar ou analisar dados deixou de ser requisito exclusivo de departamentos de TI para virar ativo estratégico de qualquer negócio.
IA dita a pauta das contratações
Para Daniel Monteiro, CTO da Digital College, a Inteligência Artificial deixou de ser nicho para virar pré-requisito transversal. “O movimento agora é de adoção da IA nas profissões, também na programação, nos dados e qualquer área que você possa imaginar”, resume.
A consequência prática aparece nas listas de requisitos das vagas. Além de IA, as empresas priorizam três pilares técnicos para 2026:
- Computação em nuvem;
- Cibersegurança;
- Proficiência em inglês.
Da saúde ao código: a nova rota de entrada
Bryan Rocha trilhou o caminho inverso ao estereótipo. Formado na área da saúde, migrou para Business Intelligence e hoje atua no Hospital Geral Waldemar de Alcântara, em Fortaleza. “Todas as áreas estão reconhecendo que existe espaço para analista de negócio. A busca tem crescido bastante”, afirma.
O caso dele ilustra a quebra de barreira: não é necessário ter origem em TI para ocupar cadeiras técnicas. Gabriel Rocha, por sua vez, saiu do setor administrativo direto para desenvolvimento Fullstack. Em seis meses de formação custeada pela própria empresa, assumiu a nova função e abriu o próprio negócio na área.
O que projeta 2026 para o mercado
A Brasscom estima a criação de 33 mil novos postos CLT no macrossetor de TIC no próximo ano. A conta fecha apenas se a formação de mão de obra acompanhar a demanda por nuvem, segurança e inteligência artificial — competências que hoje faltam no currículo da maioria dos candidatos.
O que observar daqui para frente
O cenário aponta para dois vetores simultâneos: a interiorização dos ecossistemas de inovação no Nordeste e a pulverização das vagas tech em setores tradicionais. Para o profissional, a leitura prática é única: a barreira de entrada não é mais o diploma de ciência da computação, mas a capacidade de aplicar ferramentas como IA e análise de dados no core business de qualquer empresa.
