O maior conglomerado de automobilismo da América do Sul quer transformar cada fim de semana de prova em uma feira de negócios B2B. A meta é chegar a R$ 500 milhões de receita anual e abrir capital na bolsa nos próximos três anos.
Lincoln Oliveira, CEO do Grupo Veloci, não esconde a equação: a paixão coloca o carro na pista, mas só o lucro operacional mantém a estrutura funcionando. Pai do único brasileiro na Fórmula 1 atual, Gabriel Bortoleto, ele comanda seis categorias e acaba de fechar a compra do Ultimate Drift.
A aquisição que sinaliza a nova fase
O campeonato de drift criado por João Barion entra no portfólio ainda este mês. Valores não foram divulgados, mas a lógica é clara: em agosto, a etapa de Ribeirão Preto reuniu mais de 20 mil pessoas com clima de estádio de futebol. O público jovem e engajado atrai patrocinadores que buscam exposição fora do modelo tradicional.
Com a incorporação, o grupo passa a controlar sete categorias nacionais e internacionais. A lista inclui Stock Car Pro, Stock Light, Fórmula 4 Brasil, Turismo Nacional, TCR Brasil e TCR South America.
Verticalização: trocar aluguel por ativo próprio
A estratégia para expandir margens passa por internalizar serviços que antes eram terceirizados a cada etapa. Geradores, estruturas metálicas, telecomunicações: tudo virou ativo fixo da empresa.
- Painel de LED de 120 metros no pódio
- Cooldown room — sala de descompressão dos pilotos pós-corrida
- Carreta de 23 metros com centro de controle operando 180 câmeras para fiscalização em tempo real
Oliveira resume: como o material roda o ano inteiro por várias temporadas, comprar sai mais barato que alugar. O lucro operacional agradece.
O autódromo como ativo ocioso
Para 2025, a novidade são corridas de rua matinais usando a pista fora do horário de competição. A ideia é simples: o equipamento fica parado boa parte do fim de semana; por que não monetizar?
Além disso, o grupo aposta em lojas de souvenirs, “voltas rápidas” com pilotos profissionais para convidados de patrocinadores e lounges VIP desenhados para gerar negócios B2B e B2C. Feirões de montadoras e exposições de marca completam o pacote.
Publicidade setorizada: o modelo F1 chega ao Brasil
Em vez de pulverizar anunciantes por trechos da pista, a Veloci criou setores dedicados a uma única marca. O “S do Senna” em Interlagos — área de maior retorno de mídia — será exclusivo do Bradesco, patrocinador master.
A métrica é auditada em parceria técnica com o Ibope. Em 2025, o retorno publicitário equivalente para patrocinadores bateu R$ 2 bilhões. A projeção para 2026 é alta de 19%.
Academia própria resolve gargalo de mão de obra
Formar pilotos é só metade do problema. O outro lado — e o mais caro — são mecânicos, engenheiros e telemetristas. Com a escassez no mercado, os salários dispararam.
A Academia da Stock Car nasce para atacar as duas frentes: garante vaga 100% paga para campeões da Stock Light e TCR subirem à categoria principal, e cria uma linha de produção interna de profissionais técnicos. O custo de “running” cai quando você forma sua própria equipe.
Conteúdo próprio no estilo “Drive to Survive”
Uma série documental já está em gravação. O foco: jovens talentos da base, bastidores de decisão e o choque de gerações com pilotos experientes. O objetivo é replicar o efeito Netflix que alavancou a Fórmula 1 globalmente — mas com propriedade intelectual própria.
O caminho para o IPO
A meta de R$ 500 milhões de receita é o gatilho para a abertura de capital. Oliveira projeta janela favorável a partir de 2027 ou 2028, dependendo do cenário macroeconômico. Com capital em bolsa, a expansão para outros países da América do Sul e eventualmente Europa deixa de ser plano e vira cronograma.
O que observar nos próximos trimestres
Três variáveis ditam o ritmo: a integração do Ultimate Drift sem diluir margens, a adesão do público às corridas matinais e a capacidade da Academia de entregar profissionais prontos para a operação. Se os três funcionarem, o IPO deixa de ser “se” e vira “quando”.
