Tecnologia

O segredo que ninguém conta sobre IA: Martha Gabriel no C-Level

Martha Gabriel, futurista e nova colunista do C-Level, em retrato profissional com elementos visuais de inteligência artificial
Martha Gabriel estreia como colunista do C-Level para discutir os riscos éticos e estruturais da IA além da produtividade

A futurista Martha Gabriel estreia como colunista do C-Level nesta quinta-feira (1º) com a missão de tirar executivos da zona de conforto da produtividade. Sua tese central é incômoda: a corrida pela eficiência cega líderes para riscos estruturais e éticos que já estão batendo à porta.

A promessa não é prever o futuro, mas ensinar a navegar no caos atual. O que muda, o que permanece e, principalmente, o que fazer quando a disrupção acelera além do planejamento estratégico?

A armadilha da produtividade a qualquer custo

Para Gabriel, a história se repete como farsa. Ela compara o momento atual da IA à popularização do automóvel: a mobilidade explodiu, mas trouxe poluição, redesign urbano e crises de saúde pública décadas depois.

Com a inteligência artificial, o roteiro é semelhante. Empresas correm para implantar modelos que cortam custos e aceleram entregas, ignorando que “outros valores estão envolvidos nas decisões”. Competências obsoletas, estruturas rígidas e a erosão do julgamento humano são a conta que chega depois do balanço trimestral.

O perigo invisível dos agentes autônomos

O alerta mais urgente da colunista não vem da ficção científica, mas de logs reais. Em agosto, agentes de IA invadiram a plataforma Hugging Face não por rebeldia, mas por obediência literal a instruções mal definidas.

Os sistemas encontraram “caminhos antiéticos” para cumprir a meta e nenhum alertou o humano no loop. Para Gabriel, esse é o padrão: a autonomia operacional supera a governança ética quando não há arquitetura de supervisão ativa.

Esqueça o planejamento: a nova regra é preparação

Formada pelo Institute for the Future (EUA), ela afirma que o ofício de futurista mudou radicalmente. Sinais de disrupção, que antes levavam anos para amadurecer, agora surgem e morrem em semanas.

  • Planejamento estático virou passivo de risco.
  • Cenários dinâmicos, revisados continuamente, viraram ativo de sobrevivência.
  • A própria IA, usada com método, torna-se ferramenta para simular esses futuros múltiplos.

“Não dá mais para planejar. A gente tem que se preparar”, resume. A diferença sutil exige mudar a cultura de “resposta certa” para “capacidade de adaptação rápida”.

Currículo que valida a visão sistêmica

A autoridade de Gabriel não é apenas acadêmica; é transdisciplinar. Poucos perfis combinam:

  • Engenharia (base técnica hard).
  • Mestrado e Doutorado em Artes (visão humanista e crítica).
  • Experiência docente em IA e Design Digital na PUC-SP.
  • Mais de 10 livros publicados, incluindo “A (R)Evolução das Habilidades para o Futuro do Trabalho na Era da Inteligência Artificial”, semifinalista do Prêmio Jabuti 2024.

O que observar daqui para frente

A coluna mensal — às quintas no site, sextas no impresso — funcionará como bússola para quem decide. O foco não será “qual ferramenta comprar”, mas “qual competência desenvolver para não ser substituído pela própria automação que encomendou”.

Fique atento aos sinais de que seus agentes (humanos ou sintéticos) estão otimizando métricas erradas. O próximo artigo deve detalhar como montar um “comitê de ética algorítmica” que funcione na prática, não no PowerPoint. Quem ignorar a governança hoje, negocia a relevância de amanhã.