Lula atinge 42% e Flávio Bolsonaro 38% no primeiro turno, configurando empate técnico na margem de erro de dois pontos. Mas o segundo turno revela um cenário ainda mais apertado que pode definir os rumos da economia nos próximos anos.
A pesquisa, realizada entre 29 de outubro e 1º de novembro com 2.506 eleitores em 152 municípios, mostra o petista oscilando entre 40% e 44% e o adversário entre 36% e 40%. A diferença de quatro pontos percentuais cabe inteira dentro da margem estatística.
O que os números do primeiro turno realmente mostram
Além da dupla líder, o pelotão de trás permanece embolado. Augusto Cury (Avante) marca 4%, Ronaldo Caiado (PSD) 3%, Renan Santos (Missão) 3% e Romeu Zema (Novo) 1%. Brancos, nulos e indecisos somam 7% — fatia menor que a vantagem nominal entre os dois primeiros.
- Lula (PT): 42% (intervalo 40%–44%)
- Flávio Bolsonaro (PL): 38% (intervalo 36%–40%)
- Demais candidatos: 11% somados
- Brancos/nulos/indecisos: 7%
Mas o efeito mais relevante aparece quando a simulação vai para o segundo turno.
Segundo turno: cinco cenários, uma mesma conclusão
Em todos os confrontos diretos testados, Lula oscila entre 47% e 49%, enquanto os adversários variam de 39% a 45%. A disputa mais acirrada é contra Flávio Bolsonaro: 48% a 45%, ainda dentro da margem de erro.
Contra Ronaldo Caiado, a diferença sobe para seis pontos (48% a 42%). Frente a Romeu Zema, nove pontos (49% a 40%). Renan Santos e Augusto Cury ficam em patamar semelhante, com nove e cinco pontos de desvantagem, respectivamente.
O dado que salta aos olhos: a taxa de rejeição ao voto em Lula no segundo turno mal se move entre cenários. Brancos e nulos caem de 14% (contra Renan) para 6% (contra Flávio), sugerendo que o eleitorado de centro-direita migra para o nome mais competitivo — não necessariamente por adesão ideológica.
Avaliação do governo: o termômetro real
Paralelamente à corrida eleitoral, a aprovação da gestão atual oferece o pano de fundo para qualquer projeção. O governo é avaliado como ótimo/bom por 35%, regular por 23% e ruim/péssimo por 41%. A aprovação pessoal de Lula chega a 48%, contra 49% de desaprovação — também empate técnico.
Esses números indicam que a base de apoio do presidente se mantém estável desde agosto, mas não se expande. A fatia de “regular” encolheu dois pontos, migrando majoritariamente para “ruim/péssimo”.
O que observar daqui para frente
A distância entre intenção de voto e aprovação do governo sinaliza que o eleitor separa a figura do presidente da avaliação da gestão. Para quem toma decisões de alocação de capital, o ponto de atenção é a estabilidade desse empate: qualquer movimento de um ponto percentual fora da margem de erro nas próximas duas semanas altera drasticamente a precificação de risco político.
Fique atento à evolução dos indecisos (hoje 2%) e à migração de votos “úteis” no pelotão de trás. Se Caiado ou Zema não decolarem até o fim de semana, seus eleitores tendem a convergir para Flávio Bolsonaro no segundo turno — o único cenário que mantém a disputa verdadeiramente aberta.
