A Petrobras inicia na próxima segunda-feira (5) a maior parada de manutenção dos últimos anos na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária (PR), com orçamento estimado em R$ 800 milhões. A operação mobilizará 6 mil trabalhadores no pico das atividades e se estende até a segunda quinzena de novembro, justo no momento em que o barril pressiona o mercado internacional.
Por que essa parada chama a atenção do mercado
A Repar processa 33 mil metros cúbicos de petróleo por dia e responde sozinha por 85% do abastecimento de derivados no Paraná, Santa Catarina, sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. Qualquer interrupção prolongada nessa unidade ecoa direto na logística de distribuição do Sul e Centro-Oeste.
O foco dos serviços estará na Unidade de Craqueamento Catalítico Fluido (FCC) e nas unidades de hidrotratamento de diesel e gasolina. São equipamentos críticos para a qualidade dos combustíveis e para a eficiência energética da planta, segundo o gerente-geral Felipe Leonardo Gomes.
Diesel garantido, mas logística será testada
Para evitar desabastecimento no pico do plantio da safra de verão — historicamente o mês de maior consumo de diesel no país —, a estatal antecipou compras externas. O Ministério de Minas e Energia confirmou que o suprimento de diesel S-10 para outubro está assegurado.
Mesmo assim, a equação envolve variáveis de risco:
- Janela apertada: 45 dias para executar serviços complexos sem atrasos.
- Preço internacional: Conflitos geopolíticos mantêm o barril volátil, encarecendo as importações de oportunidade.
- Demanda sazonal: O consumo agrícola não espera manutenção terminar.
O que muda para o empresário do Sul
Distribuidoras e transportadoras da região já operam com estoques de segurança elevados. A Petrobras garante que o planejamento logístico integrado — uso de dutos, cabotagem e rodoviário — dará conta da demanda, mas o custo de frete tende a subir enquanto a refinaria estiver parada.
Produtores rurais do Rio Grande do Sul relataram restrições pontuais de oferta nas últimas semanas. A parada da Repar pode ampliar a dependência de terminais portuários como Paranaguá e Itajaí para receber produto importado, pressionando a infraestrutura portuária.
Ganhos de eficiência ou apenas manutenção?
A estatal vende a parada como preparação para um “novo ciclo operacional”, com promessa de ganhos de eficiência energética e competitividade. Na prática, a Repar precisa reduzir o custo de processamento para competir com derivados importados, que chegam mais baratos quando o câmbio ajuda.
Os R$ 800 milhões entram no CAPEX da companhia e já estavam previstos no plano estratégico. O retorno virá na forma de maior disponibilidade operacional nos próximos anos — se a parada terminar no prazo.
O que observar nas próximas semanas
Acompanhe três indicadores para medir o sucesso da operação: taxa de conclusão dos serviços na unidade FCC (gargalo histórico), nível dos estoques de diesel S-10 nos terminais do Sul e o prêmio do diesel importado sobre o praticado no Golfo do México. Qualquer desvio nesses números sinaliza se o planejou foi realista ou otimista demais.
