O presidente Lula desembarca em Manila no dia 15 para a Cúpula da ASEAN, mas o convite para discursar na abertura revela um prestígio incomum para países de fora do bloco. O Brasil formalizou pedido para subir ao mais alto nível de parceria e mira um comércio que saltou de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões em pouco mais de duas décadas. O que está em jogo vai muito além de cerimônia diplomática.
A fala de abertura que quebra o protocolo
Geralmente, a saudação inicial da cúpula é reservada exclusivamente ao líder do país-sede. A exceção feita a Lula — pelo segundo ano consecutivo — é lida no Itamaraty como sinal inequívoco de respeito. Em 2025, a reunião ocorreu na Malásia; agora, nas Filipinas, o gesto se repete.
Antes do evento principal, no dia 14, o presidente cumpre visita de Estado ao país anfitrião. A data marca os 80 anos de relações bilaterais, mas a agenda mira o futuro: seis nações já solicitaram reuniões paralelas com a comitiva brasileira.
O pedido que coloca o Brasil na mesa dos gigantes
Em janeiro de 2026, o governo protocolou a solicitação para deixar de ser “Parceiro de Diálogo Setorial” e tornar-se “Parceiro de Diálogo” pleno. É o degrau máximo de engajamento com a associação.
Se aceito, o Brasil ingressa em um seleto grupo que hoje inclui:
- Estados Unidos
- Japão
- Coreia do Sul
- Canadá
A embaixadora Susan Kleebank, secretária de Ásia e Pacífico do MRE, resume a expectativa: a elevação permitiria “fortalecer a proximidade crescente” que já existe. A decisão deve ser um dos desfechos mais observados do encontro.
Comércio que multiplicou por dez: os números que explicam a pressa
O interesse não é apenas simbólico. Entre 2003 e 2025, a corrente de comércio com os dez membros da ASEAN cresceu a uma taxa média anual de 12%, saindo de US$ 3 bilhões para US$ 38 bilhões.
O bloco é formado por Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor-Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos. Juntos, representam um mercado consumidor de mais de 670 milhões de pessoas e um PIB combinado que rivaliza com as maiores economias globais.
Mas o efeito mais relevante aparece quando se isola o país anfitrião desta edição.
Filipinas no radar: café, açaí e 80 anos de história
Desde 2016, o intercâmbio bilateral com Manila quadruplicou. O Brasil já exporta café, açaí, sucos, massas e biscoitos, mas quer volume. A visita de Estado serve para destravar barreiras fitossanitárias e ampliar cotas.
O roteiro do presidente é intenso: chega na noite de 12 de novembro, vindo de Antália (Turquia), onde participou da COP31. São 14 horas de voo até a capital filipina. No dia 14, agenda bilateral; no dia 15, a cúpula. Uma coletiva de imprensa ainda tem data e horário a confirmar.
O que observar daqui para frente
A formalização da parceria plena com a ASEAN é o prêmio grande, mas os acordos setoriais nas reuniões bilaterais — especialmente com Indonésia, Vietnã e Singapura — tendem a gerar fluxo de caixa mais imediato para exportadores brasileiros do agronegócio e da indústria de alimentos processados.
Fique atento ao comunicado final da cúpula: a menção expressa ao “Parceiro de Diálogo” para o Brasil será o termômetro definitivo da receptividade asiática. Se vier, prepare-se para uma nova rodada de missões comerciais ainda no primeiro semestre de 2027.
