Ciência

UFPB coloca 18 nomes no topo da ciência mundial: veja quem são

18 pesquisadores da UFPB entre os 2% mais influentes do mundo segundo ranking Elsevier-Stanford
UFPB celebra 18 cientistas no topo mundial da pesquisa científica em 2025.

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) acaba de cravar 18 pesquisadores entre os 2% mais influentes do planeta, segundo o ranking anual da Elsevier com a Universidade Stanford. A lista, divulgada em 2025, usa a base Scopus para medir impacto real — não apenas volume de publicações.

O que isso muda para quem investe em inovação ou contrata talentos no Nordeste? A resposta está nos detalhes que a maioria ignora.

Como a seleção funciona — e por que nem todo mundo entra

O levantamento não conta apenas artigos. Ele pesa a repercussão dos trabalhos, o número de coautores e a posição do nome no paper: ser primeiro ou segundo autor vale pontos extras. O recorte é global e cobre todas as áreas do conhecimento, mas há um viés importante.

A base Scopus prioriza periódicos internacionais em inglês, de grandes editoras e publicação frequente. Isso favorece ciências exatas e biológicas. Produção em humanas, publicada em livros ou revistas nacionais em português, costuma ficar de fora.

Os 18 nomes que colocam a Paraíba no mapa

A lista traz professores de diferentes centros da UFPB. Confira:

  • Celso Augusto Guimarães Santos
  • Cláudio Furtado (Física, CCEN)
  • Damião Pergentino de Sousa
  • Dionísio Bazeia
  • Elcio Abdalla
  • Eugênio Bezerra de Mello
  • Evandro Leite de Souza
  • Felipe Vigolvino Lopes
  • João Marcos do Ó
  • José Maria Barbosa Filho
  • Knut Bakke
  • Luciana Scotti
  • Marciane Magnani
  • Marcus T. Scotti
  • Mário César Ugulino Araújo
  • Medeiros, E. S.
  • Moura, Mario R.
  • Valdir Barbosa Bezerra

Três décadas de laboratório: o caso Cláudio Furtado

Para Cláudio Furtado, do Departamento de Física do CCEN, a presença na lista coroou mais de 30 anos de atuação. “É um reconhecimento a todo um trabalho feito por mais de três décadas como pesquisador”, disse ao g1. Ele vê o efeito cascata: “É um incentivo para que novos jovens pensem em seguir a academia e ter esse reconhecimento, porque é muito gratificante ver seu trabalho validado por entidades de nível mundial.”

Em 2025, Furtado trabalhou em propriedades de interação de partículas dentro de materiais — especificamente defeitos topológicos. “Essas imperfeições mudam propriedades físicas como condutividade, medidas no dia a dia, com aplicações em diversas áreas”, explicou. A pesquisa básica, portanto, tem rota clara para inovação tecnológica.

Por que isso importa para o ecossistema de inovação

Furtado aponta o óbvio que muitos gestores ignoram: “Você olha em todas as instituições do Brasil quem pertence a essa lista. Aqui na UFPB teve 18. No exterior, isso vai para a vitrine da instituição, mostrando competitividade e qualidade.”

Empresas que buscam P&D no Nordeste ganham um sinal de qualidade validado internacionalmente. Fundos de investimento em deep tech encontram base técnica para due diligence. E o poder público tem métrica concreta para defender orçamento em ciência.

O que observar daqui pra frente

O ranking sai todo ano. A tendência é que o número de brasileiros na lista cresça — mas a concentração geográfica ainda é desigual. Acompanhe: quais departamentos da UFPB ampliarão presença? Haverá migração de talentos para o setor privado? E como a universidade vai converter esse capital reputacional em patentes, spin-offs e contratos de P&D? O próximo ciclo dirá se a influência acadêmica vira impacto econômico.