A rede Four Seasons confirma seu retorno a São Paulo com um complexo de R$ 1 bilhão no Itaim Bibi, zona oeste da capital. A estreia anterior durou apenas dois anos e terminou em silêncio durante a pandemia. Desta vez, a estrutura de propriedade e a localização mudam radicalmente o cenário.
O empreendimento ocupará 26 andares entre as ruas Amauri e Jerônimo da Veiga, a poucos metros da Faria Lima. A entrega está prevista para o fim de 2030.
Como o negócio foi montado
A Catuaí Real Estate lidera com 56% de participação, enquanto a Iguatemi detém os 44% restantes. A consolidação do terreno exigiu quatro anos de negociações: cinco imóveis e quatro edifícios vizinhos foram adquiridos, totalizando 96 matrículas em 3.600 m².
Essa base fundiária permite um projeto de uso misto que a tentativa anterior, no Parque da Cidade, não possuía. O complexo atual prevê três frentes de receita simultâneas.
O que o complexo entrega
- Hotel: 104 acomodações
- Residências com serviço hoteleiro: 35 unidades no pool de locação da rede
- Residências privadas independentes: 10 unidades (nove de ~750 m² e uma cobertura de 1.200 m²) com acesso pela Jerônimo da Veiga
- Gastronomia e bem-estar: três restaurantes, bar, spa de longevidade, academia, piscina e espaços para eventos
A arquitetura é assinada por David Chipperfield, Prêmio Pritzker 2023, em sua estreia na América do Sul. O conceito privilegia jardins, terraços e integração entre áreas internas e externas, pensado para o clima tropical paulistano.
Por que a Iguatemi entrou no jogo
Para a Iguatemi, dona de 15 shopping centers, dois outlets e quatro torres comerciais, o movimento expande a atuação em hospitalidade de alto padrão. Pedro Jereissati, presidente do conselho, define a operação como extensão natural do modelo da companhia: reunir marcas globais desejadas e entregar experiências exclusivas.
É a primeira incursão do grupo em hotelaria de luxo própria.
O fantasma de 2020
A Four Seasons estreou no Brasil em outubro de 2018 no complexo Parque da Cidade, no Brooklin: 258 quartos e 84 residências. Em dezembro de 2020, a rede encerrou as atividades sem alarde. O ativo foi absorvido pelo JW Marriott, que reaproveitou estrutura e decoração.
A diferença central agora é o controle do ativo imobiliário. No modelo anterior, a rede era operadora em empreendimento de terceiros. No Itaim, os sócios controlam o solo e a incorporação, reduzindo risco de saída abrupta.
O que observar daqui para frente
A unidade carioca no antigo Hotel Marina (Leblon), também em parceria com a Catuaí, tem inauguração prevista para 2029 — um ano antes de São Paulo. O desempenho do Rio servirá de termômetro para a operação paulistana.
Outro ponto de atenção: a revitalização da rua Amauri, tradicional corredor gastronômico, depende da ativação dos três restaurantes e do fluxo de hóspedes e moradores. Se o complexo conseguir ancorar a região, o efeito imobiliário nas quadras vizinhas pode acelerar a valorização do eixo Faria Lima–Itaim.
Para investidores e incorporadores, o case testa se o modelo de uso misto com marca hoteleira global consegue sustentar precificação de ultra-luxo em São Paulo num horizonte de seis anos.
