O São Paulo inicia a reta final de 2026 com um dilema financeiro e esportivo exposto: a manutenção de Dorival Júnior e do executivo Rafinha consome recursos de “elite” em um momento que exige contenção radical. A conta, hoje, simplesmente não fecha para o planejamento de 2027.
O custo da comissão técnica liderada por Dorival gira entre R$ 2,2 milhões e R$ 2,4 milhões mensais, segundo apuração da coluna. São valores de treinador campeão de Libertadores, mas o rendimento em campo oscila abaixo do patamar dos antecessores imediatos, Hernán Crespo e Roger Machado.
O peso da folha no orçamento de reconstrução
O clube precisa, nos próximos três anos, de pés no chão: reestruturação financeira, elenco com alternativas de baixo custo e uso intensivo das categorias de base. Manter uma comissão técnica na casa dos R$ 30 milhões anuais — sem contar multas rescisórias — contraria frontalmente essa equação.
Na prática, o investimento não se traduz em performance consistente. O time alterna boas atuações com quedas bruscas de produção, padrão que não se via nas passagens anteriores do próprio Dorival nem nos ciclos recentes de Crespo e Roger.
A preferência tática que freia a base
O técnico até utiliza garotos, mas em momentos de maior pressão recorre a veteranos. O caso mais evidente é a zaga: mesmo com esquema de três defensores, Dorival opta por Rafael Toloi, 34 anos, custo alto e sem margem de valorização, deixando Osório e Isac — considerados de alto potencial internamente — no banco.
No ataque, Ferreirinha e Victor Sá consomem minutos que poderiam acelerar a maturação de Lucca. Na lateral, Igor Felisberto, titular da Seleção Sub-20, viu a fila andar com as chegadas de Aurélio Buta (hoje lesionado) e Pedro Lima, emprestado pelo Wolverhampton.
A digital de Rafinha: reforços caros, sem revenda
A gestão do executivo reforça o descompasso. Desde que assumiu o protagonismo no futebol, Rafinha acertou o empréstimo de Pedro Lima, mas trouxe quatro jogadores entre 29 e 32 anos: Buta, Domingos Duarte, Victor Sá e Iago.
- Perfil: veteranos com salários superiores aos da base;
- Impacto: consomem minutos de desenvolvimento de ativos próprios;
- Risco: baixa ou nula perspectiva de venda futura com lucro.
O cenário desenha uma tarefa inadiável para 2027: promover a saída de atletas que oneram a folha sem entregar retorno técnico ou econômico proporcional.
O recado das urnas no Morumbi
O cenário eleitoral reforça a tese da troca. O candidato de oposição, Marcelo Portugal Gouvêa, declarou ao UOL que busca um treinador alinhado à realidade financeira, que trabalhe a base e encontre soluções no elenco atual. Do lado da situação, aliados de Vinicius de Medeiros sinalizam que a reorganização das contas também será a prioridade absoluta.
Em ambos os discursos, não há espaço para uma estrutura de custos elevada sem contrapartida esportiva clara. Dorival e Rafinha, hoje, não preenchem os requisitos desse novo mandato.
O que observar daqui para frente
A eleição presidencial, marcada para dezembro, ditará o ritmo da transição. Se a oposição vencer, a reformulação no departamento de futebol deve ser imediata. Se a situação permanecer, a pressão por resultados financeiros forçará ajustes drásticos já na janela de janeiro. Em qualquer cenário, a permanência da dupla exige uma guinada de desempenho imediata — algo que a irregularidade atual não sustenta.
