O Banco de Brasília (BRB) desenha um programa de desligamento voluntário (PDV) para cortar até 500 postos de trabalho, cerca de 15% do quadro efetivo, enquanto a privatização volta a circular nos bastidores logo após a reeleição da governadora Celina Leão (PP). A reestruturação atende à pressão de capital provocada pela exposição ao Banco Master.
O tamanho do corte e quem pode sair
Segundo relatório enviado à CVM, o banco possui 3.532 servidores concursados. Somados terceirizados, comissionados e estagiários, o total se aproxima de 6.000 pessoas. Se confirmado, este será o maior PDV da história da instituição, superando largamente as 139 adesões de 2023.
Os critérios ainda são debatidos internamente, mas uma das propostas previne elegibilidade para funcionários a partir de 38 anos com mínimo de 20 anos de casa. Em 2023, o público-alvo era mais restrito: 53 anos e 15 de banco, com indenização de sete salários-base. A versão anterior de 2025, com 50 vagas, nem chegou a ser lançada.
De onde vem a urgência
A crise de liquidez se agravou com as operações de socorro ao Banco Master. Para ganhar fôlego, a gestão vendeu cerca de R$ 14 bilhões em ativos sob o comando do presidente Nelson Antônio de Souza. Houve captação via fundos de securitização e manutenção de depósitos judiciais, mas integrantes do próprio BRB admitem: sem aporte de capital do Governo do DF, restam apenas dois caminhos.
- Federalização (perdeu força com a reeleição de Lula);
- Privatização ou venda de controle.
O entrave do FGC e a sombra do BTG
O plano A do GDF é um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O acordo, homologado no STF em maio, previa que grandes bancos privados seriam fiadores, com contragarantias vindas do FPE e do FPM. O desenho travou.
Celina Leão acionou novamente o Supremo para pressionar a União a ser a fiadora — pedido classificado como “inteiramente descabido” pelo governo federal. O ministro Luiz Fux, relator, sinaliza à assessores que não tem pressa e que uma eventual venda do banco alteraria completamente o cenário jurídico.
O nome que circula nos gabinetes
Interlocutores do STF relatam que chegou ao ministro Fux a informação de interesse do BTG Pactual, de André Esteves, na aquisição do BRB. O BTG nega oficialmente qualquer negociação. O GDF, procurado, não se manifestou até o fechamento desta matéria.
Durante a campanha, a governadora afirmou que a privatização estava “completamente descartada” e classificou os rumores como tentativa de desestabilização eleitoral. O acordo coletivo vigente, porém, prevê cláusula de estabilidade de dois anos aos funcionários justamente em caso de privatização.
O que observar nas próximas semanas
Três variáveis definirão o desfecho: a definição das regras finais do PDV (previsto para iniciar em dezembro), o desbloqueio da operação com o FGC ou a apresentação de um plano B de capitalização — seja via investidores estrangeiros, seja via troca de controle acionário. O mercado monitora se o discurso de “privatização descartada” resistirá à matemática do balanço.
