Economia

R$ 110 milhões e 200 empregos: gigante da energia escolhe Minas

Fábrica da ZTT em Três Corações, Minas Gerais, investimento de R$ 110 milhões e 200 empregos
Nova unidade da gigante chinesa ZTT no Sul de Minas promete 200 vagas até 2028.

O grupo ZTT confirmou um aporte de R$ 110 milhões para erguer uma fábrica em Três Corações, no Sul de Minas, com previsão de 200 postos de trabalho até 2028. A decisão saiu durante missão oficial do governo mineiro na China, mas o efeito real no parque industrial brasileiro só começa a ser desenhado agora.

Por que uma gigante global de cabos de ultra-alta tensão aposta fichas no interior mineiro? A resposta passa por logística, incentivos estaduais e uma lacuna no suprimento de energia que o país precisa resolver.

O cronograma que o investidor precisa saber

O dinheiro não entra de uma vez. O plano prevê três fases anuais, começando só no fim de 2026:

  • 2026: R$ 30 milhões para terraplanagem e infraestrutura inicial;
  • 2027: R$ 40 milhões na montagem da linha de produção;
  • 2028: R$ 40 milhões finais e partida das operações comerciais.

São 200 vagas — entre diretas e indiretas — que só devem ser preenchidas na reta final. Para o empresário local, a janela de quase quatro anos exige planejamento de mão de obra e fornecedores agora, não na véspera da inauguração.

Por que Três Corações venceu a disputa

A escolha não foi por acaso. A cidade oferece entroncamento rodoviário estratégico (Fernão Dias e BR-265), proximidade com a capital e, principalmente, acesso facilitado à malha da Cemig via programa SupriMinas.

O governo estadual atuou como articulador: mapeou terrenos, organizou visitas técnicas e intermediou licenças. A Invest Minas e a Codemge costuraram o pacote que tornou o projeto viável diante de concorrentes de outros estados.

O que sai da linha de produção

A unidade será operada pela Demirer Kablo, subsidiária turca do grupo especializada em sistemas de extra-alta tensão. O portfólio inicial foca em infraestrutura pesada:

  • Cabos de alta tensão e condutores aéreos;
  • Ferragens e componentes para linhas de transmissão;
  • Transformadores de média e baixa tensão.

Não há previsão de produtos para varejo ou telecom nessa fase. O alvo são concessionárias, transmissoras e grandes distribuidoras de energia — setor que vive ciclo de expansão forçado por leilões federais e transição energética.

A segunda base no Brasil e o tabuleiro latino-americano

Esta será a segunda fábrica do ZTT no país. A primeira atende mais ao mercado de telecomunicações e cabos ópticos. A nova planta nasce com DNA distinto: servir de hub logístico e produtivo para toda a América Latina.

O movimento sinaliza que o grupo enxerga o Brasil não só como consumidor, mas como plataforma de exportação para vizinhos que também modernizam suas redes. A presença da comitiva mineira em Nantong, sede global do conglomerado, reforça que o estado quer ser a porta de entrada desse fluxo.

O que observar daqui para frente

Três marcos ditam o ritmo real do negócio: o início das obras em dezembro de 2026, a obtenção das licenças ambientais de operação (costumam ser o gargalo) e a qualificação da mão de obra técnica para alta tensão — escassa na região.

Para quem atua na cadeia de suprimentos, a dica é mapear demandas por isoladores, estruturas metálicas e serviços de logística pesada. O efeito multiplicador costuma chegar antes da primeira bobina de cabo sair da extrusora.