A Haas confirmou a saída de Esteban Ocon para o restante do fim de semana no México, mas o paddock já trata o francês como carta fora do baralho nas quatro etapas finais de 2024. A dúvida que move o mercado agora é outra: quem assume o cockpit vago a tempo do GP de São Paulo?
Rafael Câmara, líder da Fórmula 2 e membro da Academia Ferrari, é o nome mais forte nos bastidores. A resposta, no entanto, depende de uma negociação que ainda não começou oficialmente.
O entrave contratual que trava a estreia
Câmara tem 21 anos, superlicença garantida matematicamente e um plano traçado: estrear num treino livre (FP1) em Interlagos justamente com a Ferrari. Para correr pela Haas já na próxima semana, a Scuderia precisaria liberar seu ativo antecipadamente.
Até a manhã deste sábado (31), a equipe americana não havia formalizado nenhum pedido à gestão do jovem piloto. A janela é curta e a burocracia, complexa.
Por que a porta se abriu tão de repente?
A ruptura entre Ocon e a Haas não foi um evento isolado. A relação vinha se deteriorando há meses e atingiu o ponto de ebulição após os treinos livres de sexta-feira. O francês questionou publicamente a estratégia da equipe, o que teria escalado para uma reunião tensa pós-sessão.
O desfecho imediato foi a promoção de Ryo Hirakawa, que já estava no autódromo cumprindo a regra obrigatória de ceder o carro a novatos em sessões de treino. A solução, contudo, tem prazo de validade.
O calendário cria um novo problema para a Haas
Hirakawa disputa o título do Mundial de Endurance (WEC) no próximo fim de semana, em Monza. A data coincide exatamente com o GP de São Paulo (1 a 3 de novembro). Isso obriga a equipe a definir um “plano B” urgente para Interlagos.
As opções na mesa são claras e envolvem custos e riscos distintos:
- Rafael Câmara: Preparação para 2025, mas exige liberação da Ferrari e adaptação relâmpago.
- Jack Doohan: Piloto reserva oficial, disponível imediatamente, sem amarras contratuais externas.
- Ryo Hirakawa: Conhece o carro, mas conflito de agenda no WEC impede presença no Brasil.
O cálculo de risco para 2025
Colocar Câmara no carro agora antecipa o desenvolvimento do brasileiro para a temporada cheia do ano que vem. Quatro corridas (Brasil, Las Vegas, Catar, Abu Dhabi) equivalem a quilometragem valiosa de corrida real, impossível de replicar em testes.
Por outro lado, a equipe avalia se o curto período de adaptação — sem testes prévios com o VF-24 — comprometeria a performance imediata e a confiança do novato. A decisão passa, necessariamente, pela anuência de Maranello.
O que observar daqui para frente
Os próximos 48 horas são decisivos. A movimentação nos escritórios da Haas e da Ferrari ditará se Interlagos receberá a estreia de um campeão da F2 ou a solidez de um reserva experiente. Para o mercado, a definição sinaliza como a gestão de jovens talentos será equilibrada entre proteção de ativos (Ferrari) e necessidade operacional (Haas) no grid de 2025.
