A Gás Verde confirmou a renovação da parceria com o Rock The Mountain para a 13ª edição do festival, marcando o terceiro ano consecutivo de neutralização total das emissões de gases de efeito estufa. A meta é compensar cerca de 2,3 mil toneladas de CO₂ equivalente geradas nos seis dias de evento, além das etapas de montagem e desmontagem da estrutura em Itaipava, distrito de Petrópolis.
O festival acontece em dois fins de semana — 30 e 31 de outubro, 1º de novembro e depois 6, 7 e 8 de novembro de 2026 —, com programação idêntica em ambos os períodos. O inventário final será calculado após o encerramento pela Boomerang Soluções Ambientais, mas a estimativa já coloca o volume no mesmo patamar de 2025, quando 2,3 mil toneladas foram neutralizadas. Em 2024, o número foi ligeiramente superior: 2.577 toneladas.
Como funciona a compensação na prática
A neutralização não ocorre com plantio de árvores ou compra de créditos genéricos. O mecanismo utilizado são os certificados de Garantia de Origem do Biometano (GOGas), emitidos a partir da produção real de biometano na unidade da Gás Verde em Seropédica, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Cada certificado atesta que determinado volume de combustível renovável foi injetado na rede, substituindo gás natural de origem fóssil. No caso do festival, a quantidade de certificados adquiridos equivale às emissões estimadas do evento — incluindo consumo de energia, deslocamento do público, equipes de produção e artistas.
- Fontes principais de emissão: energia consumida nos palcos e áreas comuns + transporte de milhares de pessoas
- Método: certificados GOGas lastreados em biometano produzido em Seropédica (RJ)
- Validação: inventário pós-evento pela Boomerang Soluções Ambientais
O cenário regulatório por trás da iniciativa
A parceria ganha relevância extra no contexto da Lei dos Combustíveis do Futuro (Lei nº 14.993/2024), que estabeleceu metas progressivas de aquisição de biometano por parte de distribuidoras e grandes consumidores. A legislação fortalece o mercado voluntário de certificados e cria previsibilidade para investimentos em novas plantas de produção.
Para Marcel Jorand, CEO da Gás Verde, o caso do Rock The Mountain demonstra como eventos de grande porte podem usar instrumentos de rastreabilidade para descarbonizar atividades onde a substituição direta de combustíveis ainda não é tecnicamente viável — como geradores a diesel em áreas remotas ou logística de grande escala.
Escala industrial e expansão planejada
A Gás Verde opera hoje duas unidades — Seropédica (RJ) e São Paulo — com capacidade combinada de 180 mil metros cúbicos de biometano por dia. A companhia já fornece o combustível para descarbonização de frotas corporativas, incluindo 100 caminhões da Comlurb no Rio de Janeiro e operações do Grupo L’Oréal no Brasil.
O plano de expansão prevê salto para 650 mil metros cúbicos diários até 2029, com novas unidades em seis estados. A empresa também comercializa CO₂ verde, subproduto do processo de purificação do biogás, ampliando o aproveitamento integral da matéria-prima.
O que observar nos próximos meses
A divulgação do inventário final da edição 2026 servirá de benchmark para outros festivais e eventos de grande porte que buscam neutralização com lastro físico e rastreável. O volume de certificados demandado pelo Rock The Mountain — e a recorrência anual da compra — sinaliza ao mercado que há demanda estável para biometano certificado, o que reduz risco de novos projetos de produção.
Para empresários do setor de eventos, a lição prática é clara: a neutralização baseada em certificados de origem renovável deixa de ser ação de marketing isolada e passa a integrar estratégia de conformidade com a nova regulação de combustíveis. Quem antecipar a estruturação de inventários e contratos de aquisição de GOGas terá vantagem competitiva na captação de patrocínios e no licenciamento ambiental de grandes eventos.
