Rodrigo e Rogério Nogueira, conhecidos mundialmente como Minotauro e Minotouro, saíram do octógono para construir uma rede que hoje soma mais de 5.700 alunos ativos entre Brasil e Emirados Árabes. A virada de chave não veio de um golpe de sorte, mas de uma dor operacional vivida em 2011.
A tentativa de gerir uma mega-academia em San Diego, com cerca de mil alunos, expôs a fragilidade de um modelo baseado apenas na reputação dos fundadores. Era impossível manter a qualidade sem um sistema replicável. A resposta veio na forma de metodologia rigorosa e capacitação contínua de professores.
Da dor na Califórnia ao manual de franquias
Antes da expansão internacional, Rodrigo já operava duas unidades em Salvador e arrendava um terceiro espaço. A experiência nos EUA mostrou que, sem padronização, a marca não escalava. Eles passaram a documentar cada etapa: da aula inaugural à faixa-preta.
Esse “manual” virou ativo. Hoje, a mesma metodologia sustenta o Instituto Irmãos Nogueira, projeto social que atende 4.000 crianças — 1.300 no Rio de Janeiro e 2.700 na Bahia. A prova de que o modelo funciona tanto no varejo de alto ticket quanto na gestão de impacto social.
Por que academias de luta não cabem no modelo “low cost”
Rogério é direto: o custo da hora/aula de um professor qualificado torna inviável a mensalidade de R$ 99,00. Diferente de redes de musculação de baixo custo, onde o equipamento é o ativo principal, no jiu-jitsu e MMA o ativo é gente.
- Ticket médio alto é obrigatório para cobrir folha especializada.
- Gestão ativa substitui a passividade do “aluguel de esteiras”.
- Marketing de retenção foca em graduações, eventos e progressão técnica.
O empresário resume: “Você tem que agregar valor o tempo todo para justificar o investimento do aluno”. Isso exige gestores dedicados por unidade, não apenas donos remotos.
Tecnologia a serviço da graduação e da expansão
A operação roda sobre um sistema proprietário que monitora entrada, frequência, modalidades praticadas e tempo de casa. O software alerta automaticamente quando o aluno atinge os requisitos para a próxima faixa. Rogério acompanha os dashboards; Rodrigo viaja para participar das cerimônias de graduação — inclusive em Dubai.
A unidade dos Emirados Árabes merece capítulo à parte: 2.700 alunos em 6.000 m². A entrada no mercado veio por meio de ex-alunos e faixas-pretas formados pela equipe que migraram para a região, onde o jiu-jitsu é disciplina curricular em escolas públicas. Um ex-integrante da equipe, após passagem pela Espanha, fundou a base local em 2010 e adotou a bandeira Team Nogueira.
O que observar daqui para frente
O case demonstra que a transição de atleta para empresário exige a substituição da intuição por dados e da centralização por processos. Para investidores e gestores do setor, o termômetro está na capacidade da rede manter a taxa de retenção acima da média de mercado (hoje na casa dos 70% anuais em unidades maduras) enquanto acelera a abertura de novas praças via licenciamento da metodologia. O próximo passo lógico é a verticalização: produtos digitais, suplementação e vestuário próprios, transformando a marca em ecossistema completo de lifestyle.
