O ateliê My Vintage Dress encerrou as atividades e deixou cerca de 300 noivas sem vestidos e sem previsão de reembolso. A dona acusa uma ex-funcionária de desviar R$ 1 milhão, mas clientes temem nunca recuperar o dinheiro.
O golpe que quebrou a confiança de 300 noivas
O comunicado nas redes sociais foi curto: a empresa não tem mais condições materiais nem operacionais para continuar. Em poucas linhas, a direção admitiu que os recursos restantes se tornaram insuficientes e que as pendências estão sendo avaliadas por assessores jurídicos — sem prazos, sem valores definidos, sem garantias.
Para quem pagou até R$ 20 mil por um modelo exclusivo, a notícia caiu como um balde de água gelada a dias do casamento. Algumas noivas chegaram a receber as peças nas últimas semanas, mas relataram que os vestidos vieram incompletos, exigindo correções emergenciais de costureiras de última hora.
Por que a produção parou de vez em setembro
A crise não começou ontem. Em setembro, a paralisação da produção já havia levado dezenas de clientes à porta da loja, em São Paulo, para cobrar explicações. Havia relatos de invasão ao imóvel, promessas não cumpridas e uma fila de casamentos marcados para os fins de semana seguintes.
Na época, a empresa ensaiou alternativas para manter as entregas. Não funcionou. O anúncio oficial do fim das operações representa uma guinada definitiva: o que era atraso virou calote.
O desvio de R$ 1 milhão que a dona denunciou à polícia
Em depoimento, a proprietária Camila Rossi afirmou que uma funcionária teria subtraído cerca de R$ 1 milhão do caixa. O caso está sob investigação, mas a versão não alivia a responsabilidade contratual da empresa perante as consumidoras.
Enquanto a apuração policial avança, o que se vê é um vácuo operacional: sem estrutura, sem equipe e, agora, sem CNPJ ativo para responder processos.
O que as clientes podem fazer agora para tentar reaver o dinheiro
- Registre boletim de ocorrência: documento base para ações cíveis e criminais.
- Reúna provas: contratos, comprovantes de pagamento, prints de conversas e e-mails.
- Acione o Procon e a plataforma de pagamento: estornos via cartão ou intermediadores (Mercado Pago, PagSeguro) têm prazos curtos.
- Considere ação coletiva: une as 300 lesadas, reduz custos e pressiona judicialmente.
- Monitore o CPF/CNPJ da sócia: evita surpresas com ocultação de bens.
O que observar daqui para frente
Não há, até o momento, plano de recuperação judicial nem proposta de parcelamento. O silêncio sobre prazos de devolução sinaliza que o caminho será litigioso. Advogados especializados em direito do consumidor recomendam agir rápido: quanto mais tempo passa, maior o risco de dilapidação do pouco patrimônio que reste. Para as noivas, o relógio corre duplo — o do processo e o do casamento.
