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Você não vai acreditar qual carro levou Lula à Paulista…

Lula em GWM Haval H6 2025 híbrido na Avenida Paulista após confirmação de reeleição pelo TSE
Presidente Lula desfila em SUV híbrido chinês GWM Haval H6 na Paulista simbolizando nova era automotiva.

Luiz Inácio Lula da Silva subiu a avenida Paulista em um GWM Haval H6 2025, um SUV híbrido fabricado na China. A imagem, registrada logo após a confirmação da reeleição pelo TSE, escancara uma virada de chave na indústria automotiva brasileira que vai muito além do simbolismo político.

Até pouco tempo, o transporte oficial era monopólio de marcas com décadas de chão de fábrica no país. Agora, o chefe do Executivo desfila em um veículo de uma montadora que nem sequer integra a Anfavea, a entidade que historicamente dita as regras do setor.

Os números que explicam a troca de guarda

A ascensão das chinesas não é baseada em promessas, mas em volume real de emplacamentos. A BYD, por exemplo, trouxe 76,7 mil unidades apenas em 2024. Nos primeiros nove meses de 2025, esse salto foi para 169,1 mil veículos — um crescimento que obriga o mercado a recalcular projeções.

A GWM, dona do carro usado na comitiva, segue ritmo semelhante. A marca confirmou aporte de R$ 10 bilhões até 2032 e planeja dobrar a capacidade da fábrica de Camaçari (BA) para 600 mil unidades anuais. A nacionalização profunda — com estamparia, soldagem e pintura locais — está prevista para 2027.

  • BYD: 169,1 mil emplacamentos (jan/set 2025)
  • GWM: R$ 10 bi em investimentos até 2032
  • Camaçari: Meta de 600 mil carros/ano
  • Aracruz (ES): Segunda fábrica confirmada

O fim de um ciclo iniciado com JK

O contraste histórico é inevitável. Em 1959, Juscelino Kubitschek inaugurou a Volkswagen em São Bernardo do Campo a bordo de um Fusca conversível. Aquele ato selou o pacto entre Estado e indústria nacional nascente, reforçado pelo Geia. Por seis décadas, presidentes circularam em Chevrolets, Fords e Volkswagens produzidos localmente — mesmo quando os modelos vinham do México ou Austrália, as marcas eram sócias da Anfavea.

Lula quebra essa tradição. Nos mandatos anteriores, usou Omega australiano e Fusion mexicano. Agora, o veículo é de uma empresa que opera à margem da associação tradicional, mas com plano industrial agressivo e aporte bilionário confirmado.

Por que a Anfavea ficou de fora da comitiva

Nem GWM nem BYD fazem parte da Anfavea. A entidade reúne as montadoras “tradicionais”, mas as chinesas optaram por atuar de forma independente. Isso cria um cenário inédito: o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) agora aprova veículos de marcas sem assento na mesa de negociações setoriais.

Não é um detalhe burocrático. A ausência na associação sinaliza que as novas players não aceitam as regras antigas de proteção cambial ou regimes automotivos desenhados para a indústria de combustão. Elas trazem a lógica de eletrificação plena e cadeia de fornecedores própria.

O que observar daqui para frente

A escolha do Haval H6 não foi isolada. O Palácio do Planalto já recebeu um BYD Tan em 2024 e a Chery aparece frequentemente nos comboios do GSI. A tendência é que a frota oficial se torne um showroom móvel das novidades chinesas.

Para investidores e gestores do setor, o recado é claro: a definição de “indústria nacional” mudou. Não basta mais ter CNPJ no Brasil; o critério agora passa por volume de investimento em eletrificação, velocidade de nacionalização de componentes sensíveis e independência das entidades de classe legadas. Quem não adaptar o plano de negócios para essa nova métrica corre o risco de ficar apenas no retrovisor.