Tecnologia

Apple quebra tabu de Jobs: 1º MacBook touch chega custando R$ 35 mil

MacBook Pro com tela touchscreen OLED e logotipo luminoso da Apple, primeiro da história da empresa
Apple lança seu primeiro MacBook Pro touchscreen com OLED e logo luminoso por R$ 34.999 no Brasil.

A Apple finalmente cedeu. Nesta quarta-feira (28), o CEO John Ternus subiu ao palco em Los Angeles para apresentar o primeiro MacBook Pro com tela sensível ao toque da história da empresa, equipado com painel OLED e o logotipo luminoso de volta à tampa traseira. O movimento enterra uma resistência de 14 anos iniciada por Steve Jobs, mas o preço inicial de R$ 34.999 no Brasil levanta a dúvida imediata: quem vai pagar essa conta?

O que muda no hardware e no bolso

O novo MacBook Pro aposta no público profissional com duas configurações iniciais. O modelo de 14 polegadas com chip M5 Pro sai por US$ 2.899 (R$ 15,4 mil nos EUA), enquanto a versão de 16 polegadas com M5 Max parte de US$ 4.799 (R$ 25,6 mil). No mercado brasileiro, a entrada fica em R$ 34.999, sem data confirmada de chegada.

Detalhes técnicos chamam a atenção para quem vive de especificações:

  • Tela OLED: contraste, nitidez e brilho superiores aos painéis LCD anteriores.
  • Peso: o modelo de 16 polegadas é 0,3 kg mais leve que o antecessor sem touch.
  • Disponibilidade: pré-venda começa hoje; entregas a partir de 6 de novembro nos EUA.

Mas o hardware é só metade da história. A Apple precisou resolver o maior inimigo do OLED: o burn-in, aquelas marcas fantasmas de imagens estáticas.

O truque para o OLED durar anos

Para evitar o desgaste precoce, a empresa redesenhou o chassi inteiro para dissipar o calor que sai da própria tela. Além disso, o poder de processamento dos chips M5 é usado para manter os pixels atualizados constantemente, impedindo a fixação de imagens.

“Você pode esperar que uma tela OLED dure tanto quanto uma LCD comum”, afirmou Tom Mainelli, analista da IDC. Segundo ele, a combinação de toque com alta fidelidade de cor mira direto em criadores, designers e fotógrafos que cresceram editando em iPads e iPhones. Mas o efeito mais relevante aparece quando olhamos para a concorrência.

Por que a Apple resistiu tanto ao toque?

A resposta está no arquivo histórico. Em 2010, Steve Jobs classificou telas touch em laptops como “ergonomicamente terríveis”. Dois anos depois, Tim Cook comparou a ideia a juntar uma torradeira e uma geladeira — algo que ninguém pediu.

Até o mês passado, o próprio Ternus defendia que o iPad já cumpria esse papel. A virada de chave coincide com a estreia dele como CEO e com uma geração de compradores que nunca conheceu mundo sem tela sensível ao toque. “Eles sempre estiveram errados em resistir; esta é a realidade se impondo”, cravou Anshel Sag, da Moor Insights & Strategy.

Números de mercado mostram o tamanho do desafio

Segundo a IDC, fabricantes de PC venderam 33,4 milhões de notebooks com touch em 2025, alta de 22% ano a ano — representando 16% do mercado total. O preço médio? Cerca de US$ 1.009 (R$ 5.398), menos de um terço do MacBook Pro de entrada.

O cenário fica claro em uma conta simples: o MacBook touch mais barato custa mais que um iPhone básico, um MacBook Air, um iPad com acessórios, um Apple Watch e AirPods somados. Lenovo, HP e Dell dominam o volume corporativo justamente pelo custo-benefício.

O que observar daqui para frente

A estratégia da “era Ternus” — que já trouxe iPhone dobrável e hub de casa inteligente em semanas — sugere uma Apple disposta a testar preços mais altos sem abandonar a premiunização. Para o empresário ou investidor, três sinais valem monitorar nos próximos trimestres: a adoção real do touch entre profissionais criativos (não apenas entusiastas), a data de lançamento oficial no Brasil e se a empresa lançará um MacBook Air touch para atacar a faixa dos US$ 1.500. Se a resposta do mercado corporativo for fria, o logotipo luminoso pode acabar sendo apenas um detalhe nostálgico em um produto de nicho.