Economia

Petrobras bate recorde de diesel, mas defasagem de R$ 0,24/litro assombra 2026

Refinaria da Petrobras operando em capacidade máxima com tanques de diesel
Petrobras atinge recorde de produção de diesel, mas defasagem de preços preocupa para 2026

A Petrobras encerrou o terceiro trimestre com produção média de 769 mil barris diários de diesel, um salto de 6,7% frente a 2023 que derrubou as importações em 8,8%. O número é histórico, mas esconde uma equação perigosa: a estatal vende o litro do combustível por R$ 3,76 a menos que o custo de importação, segundo a StoneX/Abicom.

Enquanto as refinarias operam no limite — 99% de utilização, cinco pontos acima do ano passado — a conta para 2026 começa a não fechar. Analistas do Itaú BBA alertam que a manutenção dessa defasagem pode forçar a companhia a descumprir sua própria política de preços no ano que vem.

O motor por trás do recorde: guerra e sazonalidade

A escalada do conflito no Oriente Médio, com fechamento do Estreito de Ormuz e ataques a refinarias russas, inflou as cotações internacionais. A resposta da Petrobras foi acelerar o refino nacional para não comprar caro lá fora.

O terceiro trimestre também ajuda: a demanda sazonal sobe com o plantio da safra de inverno e a indústria aquecida. As vendas de diesel subiram 4,9%, para 849 mil barris/dia. O querosene de aviação (QAV) acompanhou o ritmo, com alta de 3,4% (122 mil bpd), impulsionado pelas férias escolares.

A conta do prejuízo por litro importado

Mesmo com importações mínimas (110 mil bpd), a defasagem pesa. Veja o cálculo de mercado:

  • Defasagem do diesel (Petrobras vs. Importação): R$ 3,76/litro
  • Subvenção federal ao diesel importado: R$ 3,52/litro
  • Diferença (“prejuízo” estimado por litro): R$ 0,24

A estatal contesta a metodologia da Abicom e afirma usar parâmetros próprios de precificação. Ainda assim, o sinal de alerta está aceso para quem acompanha a saúde financeira da petroleira.

Exportações salvam a receita no curto prazo

Para compensar a margem apertada no mercado interno, a Petrobras abriu a torneira das vendas externas. No trimestre, as exportações de petróleo e derivados bateram 1,25 milhão de bpd — alta de 21,1%.

O óleo combustível puxou o crescimento, atendendo indústria e transporte marítimo. Do petróleo bruto exportado (987 mil bpd), 40% tiveram a China como destino. É o caixa forte hoje para segurar o preço lá dentro amanhã.

Pré-sal empurra produção total para novo pico

A produção total de óleo e gás atingiu 3,51 milhões de boe/dia, superando o recorde anterior de 3,34 milhões (segundo trimestre). Novas plataformas no pré-saltão entraram em operação e explicam o volume extra.

Mas o gargalo segue no refino. Com as unidades já no teto (99%), não há folga para ampliar a oferta de diesel sem novos investimentos ou paradas programadas — que reduzem a disponibilidade imediata.

O que observar daqui para frente

O cenário para 2026 depende de três variáveis: a geopolítica no Oriente Médio, o câmbio e a disposição do governo em autorizar reajustes. Se a defasagem persistir, o Itaú BBA projeta aumentos “adicionais e necessários” para a estatal honrar sua política de paridade de importação (PPI) sem sangrar o caixa. Para o empresário que compra frota ou planeja logística, a janela de preços atuais pode ser mais curta do que parece.