A Fifa confirmou os Estados Unidos como sede da primeira Copa do Mundo de Clubes Feminina, marcada para janeiro de 2028, e o Corinthians entra direto como único brasileiro garantido até aqui. A decisão saiu nesta quinta-feira (22) pelo bureau do Conselho da entidade, que também manteve o Catar como palco da Copa Intercontinental masculina pela terceira vez seguida. O calendário feminino inédito mexe com planejamentos de patrocinadores, direitos de transmissão e valorização de atletas — e ainda reserva vagas em aberto que prometem disputa acirrada na América do Sul.
O que muda para o futebol feminino a partir de 2028
O torneio reunirá 19 equipes entre 5 e 30 de janeiro de 2028, em janela que não conflita com ligas nacionais nem com os Jogos Olímpicos de Los Angeles, previstos para julho do mesmo ano. A Fifa distribuiu as vagas considerando o ciclo 2024-2027: a Conmebol tem três lugares, e o Timão carimbou o passaporte ao vencer a Libertadores em 2024 e 2025. As outras duas vagas sul-americanas ficarão com os campeões de 2026 e 2027 — salvo se o Corinthians levantar a taça novamente, caso em que um ranking de clubes (ainda em desenvolvimento) definirá o repasse.
Na Europa, a Uefa lidera com seis representantes. Quatro saem dos títulos da Champions League feminina (2024 a 2027), garantindo Arsenal e Barcelona desde já; as duas restantes virão de ranking. Já Concacaf, AFC, CAF e OFC terão um campeão continental cada — América (México), Gotham FC (EUA), Naegohyang (Coreia do Norte) e Wuhan Jiangda (China) já estão classificados.
Resumo das vagas já confirmadas
- Corinthians (Brasil) — bicampeão da Libertadores 2024/25
- Arsenal (Inglaterra) — campeão da UWCL 2023/24
- Barcelona (Espanha) — campeão da UWCL 2024/25
- Gotham FC (EUA) — campeão da Concacaf W Champions Cup
- América (México) — vice da Concacaf (vaga de anfitrião/regra de acesso)
- Wuhan Jiangda (China) — campeão da AFC Women’s Club Championship
- Naegohyang (Coreia do Norte) — representante da AFC via critério técnico
Restam oito vagas: duas sul-americanas (2026 e 2027), duas europeias via ranking, mais os campeões continentais de 2026 e 2027 na África, Ásia, Oceania e Concacaf.
Intercontinental masculina: Catar de novo, formato definido
Enquanto o feminino estreia, a Copa Intercontinental masculina segue no Catar pelo terceiro ano consecutivo. O campeão da Libertadores 2026 — que pode ser brasileiro — estreia em 9 de dezembro contra o Toluca (México) no “Dérbi das Américas”. Quem passar enfrenta o Mamelodi Sundowns (África do Sul) três dias depois na “Copa Challenger”. A final, em 16 de dezembro, será contra o Paris Saint-Germain, campeão europeu.
Em 2025, a decisão PSG x Flamengo terminou 1 a 1 no tempo normal; nos pênaltis, o goleiro Matvei Safonov defendeu quatro cobranças rubro-negras e deu o título aos franceses. O formato de “mata-mata único” encurta a competição, mas concentra receitas e audiência em poucos dias — atrativo para broadcasters e patrocinadores que buscam exposição concentrada.
Por que o mercado deve ficar atento
A criação do Mundial feminino abre nova frente de ativos: naming rights globais, pacotes de transmissão por região, licenciamento de dados e ativações de marca em solo norte-americano — mercado que já mostrou apetite recorde na Copa do Mundo feminina de seleções de 2023. Clubes classificados ganham vitrine para negociar jogadoras, atrair investidores e fechar patrocínios de manga e peito com valores indexados à participação em torneios Fifa.
Do lado masculino, a manutenção do Intercontinental no Catar sinaliza parceria comercial estável com a federação local (QFA) e garante fluxo de caixa previsível para a Fifa em ano sem Copa do Mundo. Para clubes brasileiros, a rota até a final passa por dois jogos em dezembro — janela que costuma coincidir com férias ou pré-temporada, exigindo logística e elenco adaptados.
O que observar nos próximos meses
Dois movimentos ditam o ritmo até 2028: a definição do ranking de clubes da Conmebol (critério de desempate se o Corinthians vencer a Libertadores novamente) e a negociação dos direitos de mídia do Mundial feminino — a Fifa deve licenciar pacotes separados por território ainda no primeiro semestre de 2027. Para investidores e gestores de clube, o sinal claro é: a janela de valorização do ativo “futebol feminino de elite” acaba de ganhar data, sede e formato. Quem estruturar contratos e captação agora larga na frente quando a bola rolar nos EUA.
