A Fifa oficializou, nesta quinta-feira (22), os Estados Unidos como sede da estreia da Copa do Mundo de Clubes Feminina, marcada para 5 a 30 de janeiro de 2028. O torneio reunirá 19 equipes e o Corinthians, bicampeão da Libertadores, já carimbou o passaporte.
A decisão saiu do bureau do Conselho da Fifa, colegiado que resolve pendências urgentes da entidade. A criação do campeonato já era pública desde dezembro do ano passado — faltava apenas o “onde”. Agora, o calendário e a geografia estão definidos.
Como a vaga do Timão foi sacramentada
A Conmebol tem três vagas no novo Mundial. O critério considera as Libertadores de 2024 a 2027. Como o Corinthians venceu as duas primeiras edições do ciclo (2024 e 2025), a classificação é matemática, independentemente do que acontecer nas próximas duas temporadas.
Os outros dois representantes sul-americanos sairão dos títulos de 2026 e 2027. Se as Brabas conquistarem o tri, a terceira vaga será distribuída via ranking de clubes — metodologia que a Fifa ainda vai elaborar. Palmeiras e Cruzeiro seguem vivos na disputa deste ano.
O mapa das 19 vagas: Europa domina, mas há surpresas
A Uefa fica com seis lugares, a maior fatia. Quatro vão para os campeões da Champions League feminina entre 2024 e 2027 — Arsenal (Inglaterra) e Barcelona (Espanha) já estão garantidos. As duas restantes serão definidas por ranking europeu.
Quatro campeões continentais de outras confederações também já têm assento assegurado:
- América (México) — Concacaf
- Gotham FC (EUA) — Concacaf
- Naegohyang (Coreia do Norte) — AFC
- Wuhan Jiangda (China) — AFC
As vagas restantes serão preenchidas pelos vencedores das competições continentais de 2026 e 2027 nas confederações africana (CAF), asiática (AFC), da Oceania (OFC) e da Concacaf, além das duas vagas de ranking da Uefa.
Intercontinental masculino: Catar pela terceira vez seguida
No mesmo anúncio, a Fifa confirmou o Catar como sede da Copa Intercontinental masculina de 2026 — terceira edição consecutiva no país. O formato mantém o modelo de “mata-mata escalonado” que substituiu o antigo Mundial de Clubes (2005–2023).
O campeão da Libertadores entra em campo no dia 9 de dezembro contra o Toluca (México), no chamado Dérbi das Américas. Quem passar enfrenta o Mamelodi Sundowns (África do Sul) três dias depois, na Copa Challenger. A final está marcada para 16 de dezembro contra o Paris Saint-Germain, campeão europeu da temporada.
O precedente de 2025: Flamengo e a decisão nos pênaltis
Na edição passada, o Flamengo empatou por 1 a 1 com o PSG no tempo normal — gol de Jorginho — e perdeu nos pênaltis. O goleiro Matvei Safonov defendeu quatro cobranças rubro-negras. O Al-Ahli (Arábia Saudita) abriu o torneio de 2026 em agosto, mas caiu diante do Mamelodi na fase seguinte.
O que observar daqui para frente
Dois movimentos merecem atenção de quem acompanha o negócio do futebol feminino. Primeiro: a definição do ranking de clubes da Conmebol, que pode virar critério de desempate se o Corinthians vencer a Libertadores de 2026 ou 2027. Segundo: a capacidade de o novo Mundial gerar receitas de transmissão e patrocínio comparáveis ao masculino — a escolha dos EUA, mercado maduro para o esporte feminino, sinaliza essa ambição.
Para investidores e gestores de clube, o recado é claro: o calendário internacional feminino ganhou uma âncora fixa a partir de 2028. Planejar elencos, contratos de imagem e captação de patrocínio com esse horizonte deixa de ser especulação e vira variável concreta de orçamento.
