Economia

Empresária de bordel, dentista e R$ 390 mi: a nova força de MS em Brasília

Três deputadas federais eleitas por MS: empresária, dentista e política veterana formam nova bancada 2027
Nova bancada de MS na Câmara traz perfis atípicos que devem alterar disputa por emendas e pautas regulatórias a partir de 2027.

Duas estreantes e uma veterana de peso redesenham a bancada de Mato Grosso do Sul na Câmara a partir de 2027. O perfil inusitado das novas parlamentares sinaliza mudanças diretas na disputa por emendas e pautas regulatórias que afetam o ambiente de negócios local. Entenda como a composição partidária e o capital político dessas líderes podem mexer no seu setor.

Perfis que fogem do script tradicional

A renovação traz nomes com trajetórias longe dos gabinetes convencionais. Isa Marcondes (Republicanos), empresária conhecida como “Cavala”, administra uma casa noturna em Dourados e elegeu-se vereadora mais votada da cidade em 2024 com o slogan: “A cidade está uma zona e de zona eu entendo”.

Sua pauta prioritária foca em saúde pública e direitos de crianças e idosos — setores que demandam forte aporte municipal e fiscalização de contratos públicos. Já Mara Caseiro (PL) migrou da odontologia para a gestão: foi prefeita de Eldorado por dois mandatos (2001-2008) e acumulou quatro legislaturas na Assembleia Estadual, onde foi a mais votada em 2022 com 49.512 votos.

A experiência executiva de Caseiro em município pequeno e seu trânsito na pauta de violência doméstica e direitos das mulheres indicam atuação forte em comissões de fiscalização e assistência social.

O retorno da “rainha das emendas” e a máquina do Sudeco

O contrapeso de experiência vem com Rose Modesto (União Brasil). Professora de história, ela retorna a Brasília com 124.409 votos após comandar a Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) — primeira mulher no cargo.

Seu cartão de visitas: R$ 390 milhões em emendas parlamentares destinados aos 79 municípios sul-mato-grossenses no mandato anterior (2019-2023). Para prefeitos e empresários locais, a volta dela significa acesso direto à liberação de recursos federais e influência na articulação de fundos regionais.

Além disso, sua atuação anterior em propostas para educação básica sugere atenção a editais de creches, escolas técnicas e qualificação de mão de obra — gargalo recorrente para a indústria e o agronegócio do estado.

Como fica o tabuleiro partidário e o poder de fogo

A bancada de oito deputados reflete a hegemonia do PL no estado, mas garante pluralidade tática. Veja a distribuição de cadeiras:

  • PL (3): Marcos Pollon, Mara Caseiro, Rodolfo Nogueira — base de sustentação conservadora, forte em pautas de segurança e costumes.
  • Republicanos (2): Beto Pereira, Isa Marcondes — alinhamento ao governo federal em pautas sociais e infraestrutura.
  • União Brasil (1): Rose Modesto — centro-direita pragmática, focada em gestão e emendas.
  • PP (1): Dagoberto Nogueira — articulador histórico no Centrão, chave para relatorias e comissões.
  • PT (1): Camila Jara — oposição organizada, foco em fiscalização e pautas ambientais/indígenas.

Cinco parlamentares foram reeleitos, o que garante continuidade em comissões estratégicas (Agricultura, Constituição e Justiça, Orçamento). As três novatas, porém, terão de conquistar espaço em colegiados decisivos para MS, como a Comissão de Integração Nacional e Desenvolvimento Regional.

O efeito direto na liberação de recursos estaduais

A combinação Caseiro (ex-prefeita) + Modesto (ex-Sudeco) + Marcondes (vereadora campeã de votos) cria um eixo municipalista potente. Historicamente, deputados com mandato executivo local conseguem destravar convênios parados nos ministérios com mais agilidade.

Para o setor produtivo, a atenção deve voltar-se para:

  • Emendas de bancada impositivas para logística (BR-163, ferrovias, hidrovia do Paraguai).
  • Articulação para renovação de incentivos fiscais estaduais (Fundersul/FCO) via bancada federal.
  • Posicionamento sobre a reforma tributária e impactos no agronegócio e comércio de fronteira.

O que observar daqui para frente

O primeiro teste de força ocorre na escolha das lideranças de partido e nas indicações para relatorias do Orçamento 2028. A capacidade de Isa Marcondes traduzir seu capital de votos em Dourados (segundo maior colégio eleitoral do estado) em emendas de execução obrigatória será o termômetro real de sua influência.

Já a atuação de Mara Caseiro na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher pode ditar o ritmo de liberação de verbas para a rede de proteção — mercado relevante para empresas de tecnologia, segurança e saúde. Acompanhe a distribuição das comissões permanentes em fevereiro de 2027: é ali que se define quem segura a caneta das verbas federais para Mato Grosso do Sul nos próximos quatro anos.